5. O dilúvio asiático foi evidentemente posterior ao aparecimento do homem na
Terra, visto que a lembrança dele se conservou pela tradição em todos os povos
daquela parte do mundo, os quais o consagraram em suas teogonias*.
É igualmente posterior ao grande dilúvio universal que assinalou o início do
atual período geológico. Quando se fala de homens e de animais antediluvianos, a
referência é àquele primeiro cataclismo.
* A lenda indiana sobre o dilúvio refere, segundo o livro dos Vedas, que Brama, transformado em peixe,
se dirigiu ao piedoso monarca Vaivaswata e lhe disse: “Chegou o momento da dissolução do universo; em breve estará destruído tudo o que existe na Terra. Tens que construir um navio em que embarcarás, depois de teres embarcado sementes de todos os vegetais. Esperar-me-ás nesse navio e eu virei ter contigo, trazendo à cabeça um chifre pelo qual me reconhecerás.” O santo obedeceu; construiu um navio, embarcou nele e o atou por um cabo muito forte ao chifre do peixe. O navio foi rebocado durante muitos anos com extrema rapidez, por entre as trevas de uma tremenda tempestade, abordando, afinal, ao cume do monte Himawat (Himalaia). Brama ordenou em seguida a Vaivaswata que criasse todos os seres e com
eles povoasse a Terra. É flagrante a analogia desta lenda com a narrativa bíblica de Noé. Da Índia ela passara ao Egito, como uma multidão de outras crenças. Ora, sendo o livro dos Vedas anteriores ao de Moisés, a narração que naquele se encontra, do dilúvio, não pode ser uma cópia da deste último. O que é provável é
que Moisés, que aprendera as doutrinas dos sacerdotes egípcios, haja tomado a estes a sua descrição.