Revista espírita — Jornal de estudos psicológicos — 1862

Allan Kardec

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Eis-me aqui, eu, que ides evocar, e que quero manifestar-me inicialmente por este médium que em vão até agora solicitei.

Para começar, quero contar minhas impressões no momento da separação de minha alma. Senti um abalo estranho e de repente lembrei-me de meu nascimento, de minha juventude, de minha idade madura. Toda a minha vida avivou-se claramente em minha memória. Experimentava um piedoso desejo de encontrar-me nas regiões reveladas por nossa querida crença. Depois todo esse tumulto se acalmou. Eu estava livre e meu corpo jazia inerte.

Ah! meus caros amigos, que emoção desvencilhar-se do peso do corpo! Que encantamento abarcar o espaço! Não creiais, porém, que de repente me tenha tornado um eleito do Senhor. Não. Estou entre os Espíritos que, tendo aprendido pouco, muito devem ainda aprender. Não demorei a me lembrar de vós, meus irmãos no exílio e, vo-lo asseguro, toda a minha simpatia, todos os meus votos vos envolveram. Tive logo o poder de me comunicar e tê-lo-ia feito por esta médium que receia ser enganada. Mas que ela sossegue, porque nós a amamos.

Quereis saber quais os Espíritos que me receberam? Quais as minhas impressões? Meus amigos foram todos os que nós evocamos; todos os irmãos que participaram dos nossos trabalhos. Vi o esplendor, mas não posso descrevê-lo. Apliquei-me em distinguir o que era verdadeiro nas comunicações, pronto a corrigir todas as asserções errôneas; enfim, pronto para ser o cavaleiro da verdade no outro mundo, como fui no vosso. Assim, falaremos muito, e isto não passa de um preâmbulo para mostrar à cara médium meu desejo de ser evocado por ela e a vós minha boa vontade em vir responder às perguntas que me ireis dirigir.

Jobard

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