Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1866

Allan Kardec

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As estrofes seguintes são tiradas da obra Os Dogmas Novos, do Sr. Eugène Nus. Embora não seja uma obra mediúnica, certamente irão agradecer-nos a sua reprodução, dados os pensamentos tão graciosamente expressos. Sob o título de Os Grandes Mistérios, o mesmo autor publicou uma outra obra notável, a que faremos referência, e na qual se acham todos os princípios fundamentais da Doutrina Espírita, como solução racional.


Ó mortos amados, que esta Terra

Viu passar conosco misturados,

Revelai-nos o grande mistério:

Onde viveis, mortos amados?

Globos coruscantes, que povoais o espaço,

Irmãs de nossa Terra, estrelas dos céus,

Qual de vós me prepara um lugar,

E me guarda uma sorte sombria ou gloriosa?

Qual de vós recebeu as almas

Dos que eu amava e que perdi?

Num branco raio de vossa luz suave

Desceram em minha fronte sonhadora?

Ou então, presos à sorte da Terra

Pelo destino e pelo amor,

São levados em nossa atmosfera

Lá no alto esperando a hora de voltar?

Ou, ainda mais perto, Espíritos invisíveis,

Estão entre nós, metidos em nossos dias,

Pregando a concórdia aos corações sensíveis

E chorando baixinho, ao encontrá-los surdos?

Ó mistério profundo da alma infinita!

Há quanto tempo em vão eu te procuro.

Já empalideci a fronte, tanto cavei a vida

Sem jamais encontrar o segredo divino.

Mas, ó mortos queridos, que importa onde estejais!

Quer de longe ou de perto, a mim, certo, vireis;

Quantas vezes cedi à vossa voz secreta,

E o vosso calor aqueceu minha fé.

Ó mortos amados, que esta Terra

Viu passar, conosco misturados,

Revelai-nos o grande mistério:

Onde viveis, mortos amados?

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