Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1866

Allan Kardec

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Por Hermès *

Este não é um romance; é uma refutação, do ponto de vista da Ciência, das críticas dirigidas contra os fenômenos espíritas, a propósito dos irmãos Davenport, e da similitude que pretendem estabelecer entre esses fenômenos e os truques de prestidigitação. O autor apresenta o charlatanismo, que desliza em tudo, e as condições desfavoráveis nas quais se apresentaram os Davenport, condições que ele não procura justificar. Examina os próprios fenômenos, com abstração das pessoas, e fala com a autoridade de um cientista. Levanta vigorosamente a luva atirada por uma parte da imprensa nessa circunstância, e estigmatiza suas excentricidades de linguagem, que ele traduz à luz do bom-senso, mostrando até que ponto ela se afastou de uma discussão leal. Podemos não partilhar do sentimento do autor sobre todos os pontos, mas não deixamos de dizer que seu livro é uma refutação difícil de refutar. Assim, a imprensa hostil em geral guardou silêncio sobre o assunto. Contudo, o Événement de 1.º de fevereiro falou dele nestes termos:

“Tenho em mãos um livro que deveria ter sido editado no último outono. Ele trata dos Davenport. Este livro, assinado com pseudônimo de ‘Hermès’, tem por título Forças naturais desconhecidas, e pretende que deveríamos aceitar o armário e os dois irmãos, porque nossos sentidos são débeis e não podemos explicar tudo em a Natureza. Inútil dizer que o livro foi editado pela livraria Didier.

“Eu não falaria destas folhas que se enganam de estação, se elas não contivessem um violento requisitório contra a imprensa parisiense inteira. O Sr. Hermès narra claramente os seus feitos aos redatores do Opinion, do Temps, da France, do Fígaro, do Petit Journal, etc. Eles foram insolentes e cruéis, e sua má-fé só pode ser comparada com a sua tolice. Eles não compreendiam, portanto não deviam falar. Ignorância, falsidade, grosseria, esses jornalistas cometeram todos os crimes.

“O Sr. Hermès é muito duro. Louis Ulbach é chamado ‘o homem de óculos’, injúria extremamente ultrajante. Edmond About, que havia perguntado qual a diferença entre os médiuns e o Dr. Lapommerais, recebe o troco largamente. O Sr. Hermès declara que ‘ele não se admira que certos amadores de trocadilhos tenham jogado na lama o nome de seu gracioso contraditor’. Sentis toda a delicadeza desse jogo de palavras?

“O Sr. Hermès acaba confessando que vive num jardim retirado e que só se preocupa com a verdade.

Seria preferível que vivesse na rua e que tivesse toda a calma e toda a caridade cristã da solidão.”

Não é curioso ver esses senhores darem lições teóricas de calma e de caridade cristã àqueles a quem injuriam gratuitamente, e não concordar que lhes respondam? Entretanto, não censurarão o Sr. Hermès por falta de moderação, porque, por excesso de consideração, ele não cita nenhum nome próprio. É verdade que as citações, assim agrupadas, formam um buquê muito pouco gracioso. De quem a falta se esse buquê não exala um perfume de urbanidade e de bom gosto? Para ter o direito de se queixar de algumas apreciações um pouco severas, seria preciso não provocá-las.

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* Broch. In-18. Pr.: l fr. Livraria Didier.

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