Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1866

Allan Kardec

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Sobre esta obra, o Événement de 19 de fevereiro traz o artigo seguinte, assinado por Zola, como o precedente.

“Decididamente, os romancistas curtos de imaginação, nestes tempos de produção incessante, vão dirigir-se ao Espiritismo para encontrar assuntos novos e estranhos. Em meu último artigo, falei de Espírita, de Théophile Gautier; hoje tenho a anunciar o lançamento, pela casa Lemer, de A Mulher do Espírita, por Ange de Kéraniou.

“Talvez o Espiritismo venha a fornecer ao gênio francês o maravilhoso necessário a toda epopeia bem condicionada.

“Os Davenport nos terão assim trazido um dos elementos do poema épico que a literatura francesa ainda espera.

“O livro do Sr. Kéraniou é um pouco difuso; não se sabe se ele faz troça ou se fala sério, mas é cheio de detalhes curiosos que fazem dele uma obra interessante para folhear.

“O Conde Humbert de Luzy, um espírita emérito, uma espécie de anticristo, que faz as mesas dançarem, casou-se com uma jovem a quem inspira muito naturalmente um medo horrível.

“A jovem senhora, era de esperar, quer arranjar um amante. É aqui que a história se torna realmente original. Os Espíritos se constituem em guardas de honra do marido, e, em duas ocasiões, em circunstâncias desesperadoras, salvam essa honra com o auxílio de aparições e tremores de terra. “Se eu fosse casado, tornar-me-ia espírita.”

Decididamente, a ideia espírita faz a sua entrada na imprensa pelo romance. Aí ela entra ornamentada: a verdade nua e crua chocaria esses senhores. Não conhecemos esta nova obra senão pelo artigo acima; então, nada podemos dizer sobre ela. Apenas constataremos que o autor desta crítica enuncia, talvez sem lhe ter visto o alcance, uma grande e fecunda verdade, a de que a literatura e as artes encontrarão no Espiritismo uma rica mina a explorar. Nós dissemos há muito tempo: Um dia haverá a arte espírita, como houve a arte pagã e a arte cristã. Sim, o poeta, o literato, o pintor, o escultor, o músico, o próprio arquiteto haurirão a mancheias, nesta nova fonte, temas de inspiração sublime quando tiverem explorado em outros lugares que não no fundo de um armário. Théophile Gautier foi o primeiro a entrar na liça, por uma obra capital cheia de poesia. Ele terá imitadores, sem a menor dúvida.

“Talvez o Espiritismo vá fornecer os elementos do poema épico que a literatura francesa ainda espera”; já não seria um resultado tão forte para desdenhar. (Vide a Revista Espírita de dezembro de 1860: A Arte Espírita, a Arte Pagã e a Arte Cristã).

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