O céu e o inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo

Allan Kardec

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12.– “Quais são os agentes secretos desses fenômenos e os verdadeiros atores dessas cenas inexplicáveis? Os anjos não aceitariam esses papéis indignos, e não se prestariam a todos os caprichos de uma vã curiosidade.”
O autor quer falar das manifestações físicas dos Espíritos; na totalidade, há umas que seriam evidentemente pouco dignas de Espíritos superiores; e se substituírdes a palavra anjos por puros Espíritos, ou Espíritos superiores, tereis exatamente o que diz o Espiritismo. Mas não se poderia pôr na mesma linha as comunicações inteligentes pela escrita, a fala, a audição ou qualquer outro meio, que não são mais indignas dos bons Espíritos do que o são na terra dos homens mais eminentes, nem as aparições, as curas e uma quantidade de outras que os livros sagrados citam em profusão como sendo a realização dos anjos ou dos santos. Se então os anjos e os santos produziram outrora fenômenos semelhantes, por que não os produziriam hoje? Por que os mesmos feitos seriam hoje obra do demônio nas mãos de certas pessoas, ao passo que são considerados milagres santos em outras? Sustentar semelhante tese é abdicar de toda lógica.

O autor da pastoral está errado quando diz que esses fenômenos são inexplicáveis. Ao contrário, eles são hoje perfeitamente explicados, e é por isso que não são mais vistos como maravilhosos e sobrenaturais; e ainda que não o fossem, não seria mais lógico atribuí-los ao diabo, do que era outrora dar-lhe a honra de todos os efeitos naturais que não se compreendiam.
Por papéis indignos, é preciso entender os papéis ridículos e aqueles que consistem em fazer o mal; mas não se pode qualificar assim o dos Espíritos que fazem o bem, e reconduzem os homens a Deus e à virtude. Ora o Espiritismo diz expressamente que os papéis indignos não estão nas atribuições dos Espíritos superiores, assim como o provam os preceitos seguintes:

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