O céu e o inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo

Allan Kardec

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15. - Pergunta-se como homens puderam ver essas coisas no êxtase se elas não existem. Não é aqui o lugar de explicar a fonte das imagens fantásticas que se produzem às vezes com as aparências da realidade. Diremos somente que é preciso ver nisso uma prova do princípio de que o êxtase é a menos segura de todas as revelações,* porque esse estado de sobre excitação não é sempre efeito de um desprendimento da alma tão completo quanto se poderia crer, e encontra-se aí com muita frequência o reflexo das preocupações da véspera. As ideias das quais o espírito é nutrido e das quais o cérebro, ou melhor, o envoltório perispiritual correspondente ao cérebro, conservou a impressão, reproduzem-se amplificadas como numa miragem, sob formas vaporosas que se cruzam e se confundem, e compõem conjuntos bizarros. Os estáticos de todos os cultos sempre viram coisas em relação com a fé de que estavam penetrados; não é então surpreendente que aqueles que, como Santa Teresa, estão fortemente imbuídos das ideias do inferno, tais como as apresentam as descrições verbais ou escritas e os quadros, tenham visões que não são, propriamente falando, senão a reprodução daquelas, e produzam o efeito de um pesadelo. Um pagão cheio de fé teria visto o Tártaro e as Fúrias, como teria visto no Olimpo Júpiter empunhando o raio.



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* Livro dos Espíritos, nos 443 e 444.

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