O céu e o inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo

Allan Kardec

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A doutrina espírita, no que toca às penas futuras, não se baseia mais numa teoria preconcebida do que em suas outras partes; não é um sistema substituindo outro sistema: em todas as coisas ela se apoia sobre observações, e é o que constitui sua autoridade. Ninguém, pois, imaginou que as almas, após a morte, deviam encontrar-se em tal ou qual situação; são os próprios seres que deixaram a terra que vêm hoje iniciar-nos nos mistérios da vida futura, descrever sua posição feliz ou desgraçada, suas impressões e sua transformação com a morte do corpo; numa palavra, completar sobre este ponto o ensinamento do Cristo.


Não se trata aqui do relato de um único Espírito, que poderia ver as coisas somente do seu ponto de vista, sob um único aspecto, ou estar ainda dominado pelos preconceitos terrestres, nem de uma revelação feita a um único indivíduo, que poderia se deixar enganar pelas aparências, nem de uma visão estática que se presta a ilusões, e é com frequência apenas o reflexo de uma imaginação exaltada; * mas trata-se de inúmeros exemplos fornecidos por todas as categorias de Espíritos, de alto a baixo da escala, com a ajuda de inúmeros intermediários disseminados em todos os pontos do globo, de tal modo que a revelação não é privilégio de ninguém, cada qual é capaz de ver e observar, e ninguém é obrigado a crer apoiando-se na fé de outrem.

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* Ver acima, cap. VI, no 7, e Livro dos Espíritos, nos 443, 444.

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