O céu e o inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo

Allan Kardec

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13. - Se a religião, apropriada no princípio aos conhecimentos limitados dos homens, tivesse sempre seguido o movimento progressivo do espírito humano, não haveria incrédulos, porque é da natureza do homem ter necessidade de crer, e ele acreditará se lhe derem um alimento espiritual em harmonia com suas necessidades intelectuais. Ele quer saber de onde vem e para onde vai; se lhe mostram um objetivo que não responde nem a suas aspirações nem à ideia que ele faz de Deus, nem aos dados positivos que a ciência lhe fornece; se, ademais, lhe impõem para alcançá-lo condições cuja utilidade sua razão não lhe demonstra, ele repele o todo; o materialismo e o panteísmo parecem-lhe ainda mais racionais, porque aí se discute e se raciocina; raciocina-se errado, é verdade, mas ele prefere raciocinar errado a não raciocinar de modo algum. Mas apresentem-lhe um futuro em condições lógicas, digno em todos os pontos da grandeza, da justiça e da infinita bondade de Deus, e ele abandonará o materialismo e o panteísmo cujo vazio sente em seu foro íntimo, e os quais só aceitara na falta de melhor. O espiritismo dá melhor, eis porque é acolhido com ardor por todos aqueles que a incerteza lancinante da dúvida atormenta e que não encontram nem nas crenças, nem nas filosofias vulgares aquilo que buscam; ele tem a seu favor a lógica do raciocínio e a sanção dos fatos, é por isso que o combateram inutilmente.

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