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Revista espírita — Jornal de estudos psicológicos — 1858 > Maio > Palestras familiares de além-túmulo > Mozart > Primeira palestra
- 1. ─ Em nome de Deus, Espírito de Mozart, estais aqui? ─ Sim.
- 2.─ Por que é Mozart e não outro Espírito? ─ Foi a mim que evocaste: então vim.
- 3.─ Que é um médium?
- ─ O agente que une o meu ao teu Espírito.
- 4.─ Quais as modificações fisiológicas e anímicas que, malgrado seu, sofre o médium ao entrar em ação de intermediação?
- ─ Seu corpo nada sente, mas seu Espírito, parcialmente desprendido da matéria, está em comunicação com o meu, unindo-me a vós.
- 5. ─ O que se passa nele neste momento?
- ─ Nada com o corpo; apenas uma parte de seu Espírito é atraída para mim; faço sua mão agir pelo poder que o meu Espírito exerce sobre ele.
- 6.─ Assim, o médium entra em comunicação com uma individualidade espiritual diferente da sua?
- ─ Por certo. Tu também, sem seres médium, estás em contato comigo.
- 7.─ Quais os elementos que concorrem para a produção deste fenômeno?
- ─ A atração dos Espíritos, com o fim de instruir os homens; leis de eletricidade física.
- 8.─ Quais as condições indispensáveis? ─ É uma faculdade concedida por Deus.
- 9.─ Qual o princípio determinante? ─ Não posso dizê-lo.
- 10.─ Poderias revelar-nos as suas leis?
- ─ Não, não, por enquanto não. Mais tarde tudo sabereis.
- 11.─ Em que termos positivos poder-se-ia anunciar a fórmula sintética deste fenômeno maravilhoso?
- ─ Leis desconhecidas que não poderíeis compreender.
- 12.─ Poderia o médium pôr-se em relação com a alma de uma pessoa viva?
- Em que condições?
- Facilmente, se a pessoa estiver adormecida.[1]
- 13.─ O que entendes pelo vocábulo alma?
- ─ Centelha divina.
- 14. ─ E por Espírito?
- ─ Espírito e alma são a mesma coisa.
- 15.─ Como Espírito imortal, a alma tem consciência do momento da morte, consciência de si mesma ou do eu imediatamente após a morte?
- ─ A alma nada sabe do passado e não conhece o futuro senão após a morte do corpo. Então vê sua vida pretérita e suas últimas provas; escolhe sua nova expiação para uma outra existência, bem como a prova a passar. Assim, ninguém se deve lamentar do que sofre na Terra, mas deve suportá-lo com coragem.
- 16.─ Depois da morte, acha-se a alma desligada de todo elemento, de todo laço terrestre?
- ─ De todo elemento, não. Ela tem ainda um fluido que lhe é próprio, que extrai da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação.
- Os laços terrenos nada mais são para ela.
- 17.─ Sabe ela de onde vem e para onde vai?
- ─ A resposta décima quinta resolve esta questão.
- 18.─ Nada leva ela consigo daqui de baixo?
- ─ Nada além da lembrança das boas obras, o pesar de suas faltas e o desejo de passar a um mundo melhor.
- 19.─ Abarca ela num relance retrospectivo o conjunto de sua vida passada? ─ Sim, para servir à sua vida futura.
- 20.─ Ela entrevê o objetivo da vida terrena e o seu significado; o sentido desta vida, assim como a importância do destino que aqui se cumpre, em relação à vida futura?
- ─ Sim, ela compreende a necessidade de depuração para chegar ao infinito; quer purificar-se para atingir os mundos bem-aventurados. Sou feliz, mas ainda não me encontro nos mundos onde se desfruta a visão de Deus!
- 21.─ Existe na vida futura uma hierarquia dos Espíritos? Qual a sua lei?
- ─ Sim. É o grau de depuração que a caracteriza. A bondade e as virtudes são os títulos de glória.
- 22.─ Como potência progressiva, é a inteligência que nela determina a marcha ascendente?
- ─ São sobretudo as virtudes, principalmente o amor ao próximo.
- 23.─ Uma hierarquia dos Espíritos faz supor uma hierarquia de residências. Ela existe? Sob que forma?
- ─ A inteligência, que é dom de Deus, é sempre a recompensa das virtudes da caridade e do amor ao próximo. Os Espíritos habitam diferentes planetas, conforme o seu grau de perfeição. Neles desfrutam de maior ou menor felicidade.
- 24.─ Que é o que se deve entender por Espíritos superiores?
- ─ Os Espíritos purificados.
- 25.─ Nosso globo terrestre é o primeiro desses degraus, o ponto de partida, ou vimos ainda de um ponto inferior?
- ─ Há dois globos antes do vosso, que é um dos menos perfeitos.
- 26.─ Qual o mundo que habitas? Ali és feliz?
- ─ Júpiter. Ali desfruto de uma grande calma; amo a todos os que me rodeiam. Não temos o ódio.
- 27.─ Se tens lembrança da vida terrena, deves recordar-te do casal A..., de Viena. Já os viste a ambos depois de tua morte? Em que mundo e em que condições?
- ─ Não sei onde se encontram. Não te posso dizer. Um é mais feliz que o outro. Por que me falas deles?
- 28.─ Por uma única palavra, indicativa de um fato capital de tua vida, e que não poderás ter esquecido, podes fornecer-me uma prova certa dessa recordação.
- Concito-te a dizer tal palavra.
- ─ Amor; reconhecimento.