Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1865

Allan Kardec

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Despertai, apóstolos e poetas;

Escutai os oráculos do tempo.

O ar carrega o sopro dos profetas

Retine o Hosana nas asas do vento.

O Sinai de nuvens está coberto;

Ruge o Etna no horror de seus fogos;

No entanto o Eterno dispensa as tormentas,

E para a Terra ilumina os céus.

A verdade ressurge da parábola;

Seu puro brilho toca-nos a fronte,

De nova luz o símbolo clareia,

E os raios da fé vem aquecer.

A fé, o amor, o vero sol das almas,

Aos mais obscuros mostra a claridade;

E as chamas de seu disco ela alimenta,

Pelo labor e pela caridade.

Vinde, mártires de sublime canto;

Abri a voz a estranhos lutadores.

Aos quatro ventos, sobre os nobres cimos,

Ide plantar de Jesus a humilde cruz.


A Sra. Quillet está certa quando diz que todos são chamados a concorrer à obra da renovação terrestre. Ninguém contesta a influência da poesia, mas ela se equivoca quanto ao pensamento da Sra. Foulon, quando esta diz: “O entusiasmo invadiu-me a alma e espero que seja um pouco tarde para vos entreter com o Espiritismo sério, e não com o Espiritismo poético, que não é bom para os homens. Eles não o compreenderiam.” O Espírito não entende por Espiritismo poético as ideias espíritas traduzidas pela poesia, mas o Espiritismo ideal, produto de uma imaginação entusiasta; e por Espiritismo sério, o Espiritismo científico, apoiado nos fatos e na lógica, que melhor convém à natureza positiva dos homens de nossa época, o que é objeto de nossos estudos.

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