Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1868

Allan Kardec

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Extraímos a comunicação seguinte do jornal espírita le Salut, que é publicado em Nova Orleans, número de 1º de junho de 1868:

─ Filhos, eu vos escrevi: “Quando vossa boa união me chamar, virei a vós.” E vossa boa união me chamou; eis-me aqui.

Eis-vos agora como meus apóstolos de outrora. Fazei como os bons e não façais como os maus; que ninguém renegue, que ninguém traia! Ides assentar-vos à mesma mesa que reunia os amigos da minha fé e do meu coração; que ninguém seja nem Pedro nem Judas!

Ó meus bons filhos, olhai em torno de vós e vede! Minha cruz, o instrumento glorioso de meu vil suplício, domina os edifícios da tirania ... e eu, eu não tinha vindo senão para pregar a liberdade e a felicidade. Com a minha cruz, afogaram os corpos no sangue e as consciências na mentira! Com a minha cruz, disseram aos homens: “Obedecei aos vossos senhores; curvai-vos ante os opressores!” E eu dizia: “Sois todos filhos de um mesmo pai, sem distinção a não ser a de vossos méritos, resultantes da vossa liberdade.”

Eu tinha dito aos grandes: “Humilhai-vos!” e aos pequenos: “Erguei-vos!” e exaltaram os grandes e rebaixaram os pequenos.

O que fizeram de mim, de minha memória, de minha lembrança, de meu apostolado? Um sabre! ─ Sim, e há ainda aqueles que se fizeram agentes dessa infâmia! ... Oh! Se fosse possível sofrer na morada celeste, eu sofreria!... e vós, vós deveis sofrer... e deveis estar prontos a tudo para a redenção que comecei, ainda que não fosse senão para arvorar sobre a mesma montanha o mesmo sinal de união!... Ele será visto e compreendido, e deixarão tudo para defendê-lo, para abençoá-lo, para amá-lo.

Filhos, ide para o Céu com a fé, e toda a Humanidade vos seguirá sem medo e com amor! Logo sabereis, na prática, o que é o mundo, se a teoria não vos tiver mostrado.

Tudo quanto vos foi dito para a prática do verdadeiro Cristianismo não é senão a sombra da verdade! O triunfo que vos espera está tão acima dos triunfos humanos e dos vossos pensamentos, quanto as estrelas do céu estão acima dos erros da Terra!

Oh! Quando eles verão como Tomé! Quando tiverem tocado!... Vós vereis! Vós vereis! As paixões vos criarão obstáculos, depois elas vos socorrerão, porque serão as boas paixões após as más paixões.

Pensai em mim quando fordes partir o meu pão e beber o meu vinho, dizendo que arvorais, para a eternidade, a bandeira dos mundos... Oh! sim, dos mundos, porque ela unirá o passado, o presente e o futuro a Deus.

JESUS.

O jornal publica esta comunicação sem dar informação sobre as circunstâncias em que foi recebida. Parece, contudo, que deve ter sido numa festa comemorativa da ceia, ou qualquer ágape fraterno entre os adeptos. Seja como for, ela traz, no fundo e na forma dos pensamentos, na simplicidade unida à nobreza do estilo, um cunho de identidade que não poderíamos ignorar. Ela atesta, da parte dos assistentes, disposições de natureza a lhes merecer esse favor, e não podemos senão felicitá-los. Pode-se ver que as instruções dadas na América sobre a caridade e a fraternidade não cedem em nada às que são dadas na Europa. É o elo que unirá os habitantes dos dois mundos.

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