Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1867

Allan Kardec

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Luta dos Espíritos pela volta ao bem

(Paris, 24 de março de 1867 - Médium: Sr. Rul)

Obrigado, caro irmão, por vossa compaixão por aquele que expia pelo sofrimento as faltas cometidas; obrigado por vossas boas preces, inspiradas por vosso amor aos irmãos. Chamai-me algumas vezes. Será um encontro a que não faltarei nunca, ficai certo. Eu disse numa comunicação dada na Sociedade que depois de ter sofrido ser-me-ia permitido vir dar minha opinião sobre algumas questões de que vos ocupais. Deus é tão bom, que depois de me haver imposto a expiação pelo sofrimento, teve piedade de meu arrependimento, porque ele sabe que se eu fali, foi por fraqueza, e que o orgulho é filho da ignorância. É-me permitido instruir-me, e se não posso, como os bons Espíritos que deixaram a Terra, penetrar os mistérios da criação, posso estudar os rudimentos da ciência universal, a fim de progredir e ajudar os meus irmãos a progredir também.

Dir-vos-ei que relação existe entre o estado da alma e a natureza dos fluidos que a envolvem em cada meio em que se encontra momentaneamente. E se, como vos foi dito, a alma pura saneia os fluidos, acreditai que o pensamento impuro as vicia. Julgai que esforços deve fazer o Espírito que se arrepende, para combater a influência desses fluidos que o envolvem, aumentada ainda pela reunião de todos os maus fluidos que os Espíritos perversos lhe trazem para sufocá-lo. ─ Não creiais que me baste querer melhorar-me, para expulsar os Espíritos de orgulho de que estava rodeado em minha estada na Terra. Eles estão sempre perto de mim, procurando reter-me em sua atmosfera malsã. Os bons Espíritos vêm esclarecer-me, trazer-me a força de que necessito para lutar contra a influência dos maus Espíritos, depois eles se afastam, deixando-me entregue às minhas próprias forças para lutar contra o mal. É então que eu sinto a influência benéfica de vossas boas preces, porque, sem o saber, continuais a obra dos bons Espíritos de além-túmulo.

Vedes, caro irmão, que tudo se encadeia na imensidade; que todos somos solidários uns com os outros, e que não há um só pensamento bom que não leve consigo frutos de amor, de melhora e de progresso moral. Sim, tendes razão de dizer aos vossos irmãos que sofrem que uma palavra basta para explicar o Criador; que esta palavra deve ser a estrela que guia cada Espírito, seja qual for o grau da escada a que pertença por todos os seus pensamentos, por todos os seus atos, tanto nos mundos inferiores quanto nos superiores; que essa palavra, o evangelho de todos os séculos, o alfa e o ômega de toda a ciência, a luz da verdade eterna, é amor! Amor a Deus, amor aos irmãos. Felizes os que oram por seus irmãos que sofrem. Suas provações na Terra tornar-se-ão leves, e a recompensa que os espera estará acima de suas esperanças!...

Vedes, caro irmão, quanto o Senhor é cheio de misericórdia, pois que, malgrado meus sofrimentos, permite-me vir falar-vos a linguagem de um bom Espírito.

A...

ALLAN KARDEC.

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