Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1867

Allan Kardec

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Um fato singular se repete com frequência no bairro de Ménilmontant, sem que se tenha ainda podido explicar a sua causa.

“O Sr. X..., fabricante de bronzes, mora num pavilhão nos fundos da casa; aí se entra pelo jardim. As oficinas estão à esquerda e a sala de jantar à direita. Uma campainha está colocada acima da porta da sala de jantar; naturalmente o cordão está na porta do jardim. A aleia é bastante longa para que uma pessoa, tendo tocado, não possa fugir antes que tenham vindo abrir.

“Várias vezes o contramestre, tendo ouvido a campainha, foi à porta e não viu ninguém. A princípio acreditaram numa mistificação; mas, por mais que ficassem à espreita e se assegurassem que o fio condutor levava à campainha, nada puderam descobrir, mas a manobra continuava sempre. Um dia a campainha tocou quando o casal X... se achava precisamente em baixo e um aprendiz estava na aleia, diante do cordão. Esse fato repetiu-se três vezes na mesma tarde. Acrescentamos que por vezes a campainha soava bem baixinho e outras vezes de maneira muito barulhenta.

“Depois de alguns dias o fenômeno havia cessado, mas anteontem à noite repetiu-se com mais persistência.

“A Sra. X... é uma mulher muito piedosa. Há uma crença em sua terra que os mortos vêm reclamar preces dos parentes. Ela pensou numa tia morta e julgou ter achado a explicação. Mas preces, missas, novenas, nada serviu, porquanto a campainha continua soando.

“Um distinto metalurgista, a quem o fato foi contado, pensou que fosse um fenômeno científico e que uma certa quantidade de água-forte e de vitríolo que havia na oficina podia desprender uma força bastante grande para mover o fio de ferro. Mas, afastadas as substâncias, o fato não deixou de se produzir.

“Não procuraremos explicá-lo, pois é assunto dos cientistas, diz a Patrie, que bem poderia enganar-se. Essas espécies de mistérios muitas vezes se explicam, por fim, sem que a Ciência tenha que aí constatar o menor fenômeno ainda desconhecido.”

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