Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1867

Allan Kardec

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A época de renovação das assinaturas, a 1º de janeiro, como todos os anos, é para a maioria dos nossos correspondentes da França e do estrangeiro, ocasião para nos dar novos testemunhos de simpatia, com o que ficamos profundamente tocado.

Na impossibilidade em que estamos de responder a todos, rogamo-lhes recebam aqui a expressão de nossos sinceros agradecimentos e da reciprocidade de nossos votos, rogando-lhes se persuadam de que não esquecemos, em nossas preces, nenhum daqueles, encarnados ou desencarnados, que se nos recomendam.

Os testemunhos que têm a bondade de nos dar nos são poderoso encorajamento e muito suaves compensações que facilmente nos fazem esquecer as penas e fadigas do caminho. E como não as esqueceríamos, quando vemos a Doutrina crescer incessantemente, vencer todos os obstáculos e que cada dia nos traz novas provas dos benefícios que ela espalha! Agradecemos a Deus o insigne favor que ele nos concede, de testemunhar seus primeiros sucessos e entrever o seu futuro. Nós lhe pedimos nos dê as forças físicas e morais necessárias para realizar o que nos resta a fazer, antes de voltar ao mundo dos Espíritos.

Aos que têm a bondade de fazer votos pelo prolongamento de nossa demora aqui em baixo, no interesse do Espiritismo, diremos que ninguém é indispensável para a execução dos desígnios de Deus; que o que fizemos, outros poderiam ter feito, e que o que não pudermos fazer, outros farão. Então, quando lhe aprouver chamar-nos, ele saberá prover à continuação de sua obra. Aquele que for chamado a lhe tomar as rédeas cresce na sombra e revelar-se-á oportunamente, não por sua pretensão a uma supremacia qualquer, mas por seus atos, que chamarão a atenção de todos. A esta hora ele ignora a si mesmo, e é útil, neste momento, que ainda se mantenha à margem.

O Cristo disse: “Aquele que se exaltar será rebaixado.” É, pois, entre os humildes de coração que ele será escolhido, e não entre os que quiserem elevar-se por sua própria autoridade e contra a vontade de Deus; esses apenas colherão vergonha e humilhação, porque os orgulhosos e os presunçosos serão confundidos. Que cada um traga a sua pedra ao edifício e se contente com o papel de simples obreiro. Deus, que lê no fundo dos corações, saberá dar a cada um o justo salário de seu trabalho.

A todos os nossos irmãos em crença diremos: “Coragem e perseverança, porque se aproxima o momento das grandes provas. Fortalecei-vos nos princípios da Doutrina e deles penetrai-vos cada vez mais; alargai as vossas vistas; elevai-vos pelo pensamento acima do círculo limitado do presente, de maneira a abarcar o horizonte do infinito; considerai o futuro, e então a vida presente, com seu cortejo de misérias e decepções, vos parecerá um ponto imperceptível, como um minuto doloroso que em breve não deixará mais traços na lembrança; as preocupações materiais parecerão mesquinhas e pueris, ao lado dos esplendores da imensidade.

Felizes os que colherem na sinceridade de sua fé a força de que necessitarão. Esses bendirão a Deus por lhes ter dado a luz; reconhecerão sua sabedoria nas suas vistas insondáveis e nos meios, sejam quais forem, que ele emprega para sua realização. Eles marcharão através dos escolhos com a serenidade, a firmeza é a confiança que dá a certeza de atingir o porto, sem se deter nas pedras que ferem os pés.

É nas grandes provas que se revelam as grandes almas; é também então que se revelam os corações verdadeiramente espíritas, pela coragem, pela resignação, pelo devotamente, pela abnegação e pela caridade sob todas as suas formas, de que dão exemplo. (Vide o artigo de outubro de 1866: Os tempos são chegados).

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