Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1866

Allan Kardec

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Em nosso número de outubro apenas pudemos anunciar esta obra, lamentando que a extensão dos artigos cuja publicação não podia ser adiada nos impedia de fazer uma apreciação mais cedo.

Embora, por sua especialidade, esse livro pareça estranho às matérias que nos ocupam, não obstante a elas se liga, pelo próprio princípio sobre o qual se apoia, porque o autor faz interferir claramente o princípio espiritualista na ciência mais manchada de materialismo. Ele não faz espiritualidade mística, como alguns a compreendem, mas, se assim se pode dizer, espiritualidade positiva e científica. Ele se aferra em demonstrar a existência do princípio espiritual que há em nós; sua conexão com o organismo, auxiliada pelo laço fluídico que os une; o papel importante que esses dois elementos representam na economia; os erros inevitáveis nos quais caem forçosamente os médiuns que tudo atribuem à matéria, e as luzes de que se privam desprezando o princípio espiritual. A passagem seguinte indica suficientemente o ponto de vista sob o qual ele encara a questão. Diz ele, na pág. 34: “Em suma, a constituição humana resulta:

1.º ─ de um princípio espiritual independente, ou alma imortal;

2.º ─ de um corpo fluídico permanente;

3.º ─ de um organismo material, dissolúvel, animado durante a vida por um fluido especial.

“A união temporária do primeiro destes elementos constitutivos com o terceiro se opera pela combinação de seus fluidos respectivos (fluido perispiritual e fluido vital), de onde resulta um fluido misto que ao mesmo tempo penetra todo o corpo, irradia em torno dele, por vezes a grandes distâncias e através de todos os obstáculos, como o demonstram os fenômenos magnéticos, sonambúlicos e outros, que o materialismo de todas as cores repele com um desdém soberbo, sob o pretexto de maravilhoso e charlatanismo, porque eles vêm contestar suas teorias insensatas.”

Da ação do elemento fluídico sobre o organismo ele chega à demonstração, de certo modo matemática, do poder de ação das quantidades infinitesimais sobre a economia. Esta demonstração nos pareceu nova e uma das mais claras que já lemos. Deixamos aos especialistas a apreciação da parte técnica, que não discutimos. Mas do ponto de vista filosófico, essa obra é uma das primeiras aplicações na ciência positiva das leis reveladas pelo Espiritismo e, por este motivo, tem seu lugar marcado nas bibliotecas espíritas. Embora o nome do Espiritismo não seja pronunciado, o autor pode ter certeza de não ter a aprovação das pessoas que têm por princípio a negação de tudo o que se refere à espiritualidade.


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(1) Vol. In-12, preço 3 fr. Tours, casa Guilland-Verger. – Paris, casa Baillère 19, rue Hautefeuille.




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