Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1861

Allan Kardec

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NOTA:Ver a seguir Fantasia, por Gérard de Nerval.


RESPOSTA DE BUFFON AO VISCONDE DELAUNAY



Convidais-me a voltar a um debate do qual muito rapidamente me livrei por não precisar insistir no que disse. E confesso que prefiro ficar no meio aprazível onde me encontrava a semelhante agitação. Em meu tempo a gente trocava uma galanteria mais ou menos ateniense; mas hoje, peste! Vai-se a golpes de chicote chumbado. Obrigado! eu me retiro: tenho mais do que preciso; pois ainda estou todo marcado pelos golpes do Visconde. Concordareis que, embora me tenham sido generosamente, muito generosamente administrados pela graciosa mão de uma mulher, não são menos cortantes. Ah! senhora vós me lembrastes a caridade de maneira muito pouco caridosa. Visconde! sois muito temível: entrego as armas e humildemente reconheço meus erros. Concordo que Bernardin de Saint-Pierre foi um grande filósofo. Que digo eu? Encontrou a pedra filosofal e eu não sou, como não fui, mais que um indigesto compilador! Agora estais contente? Vejamos, sede gentil e de agora em diante não me humilheis assim, sem o que obrigareis um gentil-homem, amigo do nosso grupo parisiense, a abandonar a preça, o que não faria sem grande pesar, porque teima em aproveitar, também ele, os ensinamentos espíritas e conhecer o. que se passa aqui.

E atentai. Hoje ouvi o relato de fenômenos tão estranhos, que em meu tempo teriam queimado vivos, como feiticeiros, os atores e até os narradores desses acontecimentos. Aqui, entre nós, serão mesmo fenômenos espíritas? A imaginação de um lado, o interesse do outro, não valem alguma coisa? Eu não juraria. Que pensa o espirituoso Visconde? Quanto a mim, lavo as mãos. Aliás, se creio no meu senso de naturalista, por mais que me chamem naturalista de gabinete, os fenômenos dessa ordem só devem ocorrer raramente. Quereis minha opinião sobre o caso de Havana? Ora! lã existe uma quadrilha de gente mal intencionada, que tem todo o interesse em desacreditar a propriedade, para que seja vendida a preço vil e proprietários medrosos e tímidos, espantados com uma fantasmagoria muito bem montada. Quanto ao lagarto: lembro-me bem de lhe haver escrito a história, mas confesso jamais os ter encontrado diplomados pela Faculdade de Medicina. Há aqui um médium de cérebro fraco, que tomou de sua imaginação fatos que, em suma, não tinham nenhuma realidade.

BUFFON



NOTA: Este último parágrafo alude a dois fatos contados na mesma sessão, cujo relato, por falta de espaço, virá em outro número. A respeito, Buffon dá sua opinião espontânea.

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