Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1861

Allan Kardec

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Há uma prova muito grande na Terra, sobre a qual deve apoiar-se a moral do Espiritismo: é a provação terrível do homem de gênio, sobretudo do que é dotado de faculdades superiores, presa das exigências da miséria. Ah! Sim. Esta prova moral, esta miséria da inteligência, muito mais que a do corpo, será o mérito maior para o homem que tiver cumprido a sua missão. Compenetrai-vos dessa luta incessante do talento contra a miséria, esta harpia que se atira sobre vós durante o festim da vida, semelhante ao monstro de Virgílio, e que diz a todas as suas vítimas: Sois poderosos, mas sou eu quem vos mata; sou eu que envio ao nada os dons de vossa inteligência, porque eu sou a morte do gênio. Eu sei que só uns são vencidos, mas os outros, quantos são eles? Há um pintor da escola moderna que assim concebeu o assunto: Um ser, o gênio, cujas asas se abrem e cujo olhar está voltado para o sol; quase que se ergue, mas cai sobre um rochedo, onde estão fixadas cadeias de ferro que o prenderão talvez para sempre. O homem que teve este sonho talvez tenha sido acorrentado, também ele, e talvez após a sua libertação lembrou-se dos que deixara para sempre sobre o rochedo.

GÉRARD DE NERVAL

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