Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1860

Allan Kardec

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Como pode um homem, e um homem inteligente, não crer na imortalidade da alma e, consequentemente, numa vida futura, que não é outra senão a do Espiritismo? Em que deveriam tornar-se esse amor imenso que a mãe vota ao filho, esses cuidados com que o cerca na tenra idade, essa solicitude esclarecida que o pai dedica à educação de um ser bem amado? Tudo isto seria, então, aniquilado no momento da morte ou da separação? Seríamos, assim, semelhantes aos animais, cujo instinto é admirável, sem dúvida, mas que não cuidam de sua progênie com ternura, senão até o momento em que ela cessa de ter necessidade dos cuidados maternos? Chegado esse momento, os pais abandonam os filhos e tudo está acabado: o corpo está criado, a alma não existe. Mas o homem não teria uma alma, e uma alma imortal! E o gênio sublime que só se pode comparar a Deus, pois dele emana, esse gênio que gera prodígios, que cria obras primas, tudo isto seria aniquilado pela morte do homem?! Profanação! Não se pode aniquilar assim as coisas que vêm de Deus. Um Rafael, um Newton, um Michelângelo, e tantos outros gênios sublimes, abarcam ainda o Universo em seu Espírito, embora seus corpos não mais existam. Não vos enganeis. Eles vivem e viverão eternamente. Quanto a se comunicarem convosco, isto é menos fácil de admitir pela maioria dos homens. Só pelo estudo e pela observação eles podem adquirir a certeza de que isso é possível.

FÉNELON.

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