Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1860

Allan Kardec

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Numa bela tarde de primavera, um homem rico e generoso estava sentado em sua sala. Sorvia, feliz, o perfume das flores de seu jardim. Enumerava, complacente, todas as boas obras que tinha praticado durante o ano. A essa lembrança não pôde impedir um olhar quase desprezível sobre a casa de um de seus vizinhos, que não pudera dar senão módica moeda para a construção da igreja paroquial. De minha parte, disse ele, dei mais de mil escudos para essa obra pia; lancei negligentemente uma nota de 500 francos na bolsa que me apresentava aquela jovem duquesa em favor dos pobres; dei muito para as festas de beneficência, para toda sorte de loterias e creio que Deus me será grato por tanto bem que fiz. Ah! Eu esquecia uma pequena esmola dada ultimamente a uma infeliz viúva com o peso de numerosa família e que ainda cria um órfão. Mas o que lhe dei é tão pouco que certamente não é isto que me abrirá o Céu.

─ Tu te enganas, respondeu de repente uma voz que lhe fez voltar a cabeça: é a única que Deus aceita; e eis a prova. No mesmo instante uma mão apagou o papel que ele tinha riscado com todas as suas boas obras, deixando apenas a última: ela o levou ao Céu.

Não é, pois, a esmola feita com ostentação que é a melhor, mas aquela que é feita com toda a humildade do coração.

JOINVILLE, AMY DE LOYS.

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