Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1860

Allan Kardec

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Propôs-se o autor da brochura provar que se pode ser, ao mesmo tempo, bom católico e fervoroso espírita. Neste sentido, prega pela palavra e pelo exemplo, pois é sinceramente uma e outra coisa. Por fatos e argumentos de uma lógica rigorosa,estabelece a concordância do Espiritismo com a religião, e demonstra que todos os dogmas fundamentais encontram na Doutrina Espírita uma explicação de molde a satisfazer à razão mais exigente, que em vão a Teologia se esforça para dar, de onde conclui que se esses dogmas fossem ensinados desta maneira, encontrariam menos incrédulos e que, portanto, devendo a religião ganhar com tal aliança, dia virá em que, pela força das coisas, o Espiritismo estará na religião, ou a religião no Espiritismo.

Parece difícil que, após a leitura desse livrinho, aqueles que os escrúpulos religiosos ainda afastam do Espiritismo não sejam conduzidos a uma apreciação mais sadia do problema. Aliás, há um fato evidente: é que as ideias espíritas marcham com tal rapidez que, sem ser adivinho nem feiticeiro, é possível prever o tempo em que serão tão gerais que, de bom ou de mau grado, ter-se-á que contar com elas. Elas conquistarão foros de cidade, sem haver necessidade da permissão de ninguém; e dentro em pouco reconhecer-se-á, se ainda não se fez, a absoluta impossibilidade de lhe deter o curso. As próprias diatribes lhes dão um impulso extraordinário e não se poderia crer no número de adeptos que, sem o querer, fez o Sr. Louis Figuier com a sua Histoire du merveilleux (História do maravilhoso), na qual pretende tudo explicar pela alucinação, quando, em definitivo, nada explica, porque seu ponto de partida é a negação de toda força fora da Humanidade e sua teoria material não pode resolver todos os casos. As pilhérias do Sr. Oscar Comettant não são argumentos. Ele provocou risos, mas não à custa dos espíritas. O impudente e grosseiro artigo da Gazette de Lyon só fez mal a ela mesma, porque todo mundo o julgou como ele mereceu. Após a leitura da brochura de que falamos, que dirão os que ousam ainda insinuar que os espíritas são ímpios, e que a sua doutrina ameaça a religião? Eles não se apercebem que assim dizendo fariam crer que a religião é vulnerável. Com efeito, ela seria muito vulnerável se uma utopia ─ desde que, segundo eles, isto é utopia ─ pudesse comprometê-la. Não receamos dizer que todos os homens sinceramente religiosos ─ e desta forma entendemos os que o são mais pelo coração do que pelos lábios ─ reconhecerão no Espiritismo uma manifestação divina, cujo objetivo é reavivar a fé que se extingue.


Recomendamos instantemente essa brochura a todos os nossos leitores, e cremos que estes farão uma coisa útil, procurando propagá-la.

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