Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1860

Allan Kardec

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Falarei do estranho fenômeno que se passa nas reuniões, seja qual for o seu caráter. Quero falar da eletricidade do pensamento, que se espalha como que por encanto nos cérebros menos preparados para recebê-la. Tal fato, por si só, poderia confirmar o magnetismo aos olhos dos mais incrédulos. Surpreende-me sobretudo a coexistência dos fenômenos e a maneira por que se confirmam reciprocamente. Sem dúvida direis: O Espiritismo os explica todos, porque dá a razão dos fatos até então relegados ao domínio da superstição. É preciso crer no que ele vos ensina, porque transforma a pedra em diamante, isto é, eleva incessantemente as almas que se aplicam a compreendê-lo e lhes dá, nesta Terra, a paciência para suportar seus males, e lhes proporciona, no Céu, a elevação gloriosa que aproxima do Criador. Volto ao ponto de partida, do qual me afastei um pouco. A eletricidade que une o Espírito dos homens em reunião e que faz com que compreendam todos a mesma ideia ao mesmo tempo, essa mesma eletricidade será um dia empregada tão eficazmente entre os homens, tanto quanto o é nas comunicações a distância. Eu vos revelo essa ideia, que um dia desenvolverei, porque ela é muito fecunda. Conservai a calma em vossos trabalhos e contai com a benevolência dos bons Espíritos para vos assistirem.

* * *

Vou completar meu pensamento, que ficou inacabado na última comunicação. Eu falava da eletricidade do pensamento e dizia que um dia ela seria empregada como o é a sua irmã, a eletricidade física. Com efeito, reunidos, os homens desprendem um fluido que lhes transmite, com a rapidez do relâmpago, as menores impressões. Por que jamais se pensou nesse meio, por exemplo, para descobrir um criminoso, ou para fazer que as massas compreendam as verdades da religião ou do Espiritismo? Nos grandes processos criminais ou políticos, os assistentes dos dramas judiciários puderam todos constatar a corrente magnética que pouco a pouco forçava as pessoas mais interessadas a ocultarem o pensamento, a descobri-lo e até mesmo a se acusar, pois não mais podiam suportar a pressão elétrica que, malgrado seu, fazia brotar a verdade, não de sua consciência, mas do seu coração. Fora dessas grandes emoções, o mesmo fenômeno ocorre nas ideias intelectuais, que se transmitem de cérebro a cérebro. O meio já foi, pois, encontrado. Trata-se de aplicá-lo: reunir num mesmo centro homens convictos, ou homens instruídos, e colocar-lhes em contraste a ignorância ou o vício. Essas experiências devem ser feitas conscientemente, e são mais importantes que os debates a respeito de palavras.

Delphine de GIRARDIN

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