Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1860

Allan Kardec

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Os Espíritos se dividem em várias categorias. A princípio os embriões, que não têm nenhuma faculdade distinta; que nadam no ar como insetos que se veem rodopiar num raio de sol; que voejam sem objetivo e se encarnam sem terem feito escolha.
Tornam-se seres humanos ignorantes e grosseiros.

Acima deles estão os Espíritos levianos, que não têm maus instintos, mas que são apenas brincalhões; divertem-se com os homens e lhes causam aborrecimentos frívolos. São crianças. Eles têm os caprichos e a maldade pueril.

Os Espíritos maus não estão todos no mesmo grau. Há alguns que não fazem outro mal além de ligeiros engodos; que não se agarram a um ser e se limitam a fazê-lo cometer falhas pouco graves.

Os Espíritos malfeitores impelem ao mal e gozam com isto, mas ainda têm um vislumbre de piedade.

Os Espíritos perversos não a têm. Todas as suas faculdades tendem para o mal.

Fazem-no por cálculo e com persistência e se comprazem nas torturas morais que causam. Correspondem, no mundo dos Espíritos, aos criminosos do vosso. Chegam a essa perversidade porque não respeitam as leis de Deus. Nas suas vidas carnais, vão de queda em queda e passam-se séculos antes que lhes venha um pensamento de renovação. O mal é o seu elemento; nele mergulham com delícia, mas, obrigados a reencarnar-se, passam por tais sofrimentos e esses sofrimentos de tal modo crescem em suas vidas espíritas, que a paixão do mal neles se gasta. Acabam por compreender que devem ceder à voz de Deus, que não cessa de chamá-los. Vimos Espíritos rebeldes pedirem com ardor as mais terríveis expiações e suportá-las com a alegria do mártir. É uma imensa felicidade para os Espíritos puros esse retorno ao bem. A palavra do Cristo, para as ovelhas desgarradas, tem o brilho da verdade.

Os Espíritos errantes da segunda ordem são os intermediários entre os Espíritos superiores e os mortais, pois é raro que os Espíritos superiores se comuniquem diretamente. É preciso que a tanto sejam impelidos por uma solicitude particular.

Esses intermediários são os Espíritos dos mortais que não têm nenhum mal grave a lamentar e cujas intenções não foram más. Recebem missões e, quando as realizam com zelo e amor, são recompensados por um progresso mais rápido. Eles têm que passar por menos migrações. Assim, os Espíritos desejam ardentemente essas missões, só concedidas como recompensa e quando são julgados capazes de cumprilas.

São os Espíritos superiores que os dirigem e que lhes escolhem as funções.

Os Espíritos superiores não estão todos no mesmo grau. Se eles são dispensados das migrações nos vossos mundos, não o são das condições de adiantamento nas esferas mais elevadas. Enfim, não há qualquer lacuna no mundo visível e no invisível. Uma ordem admirável proveu a tudo. Nenhum ser é ocioso ou inútil. Todos concorrem, na medida de suas faculdades, para a perfeição da obra de Deus, que não tem termo nem limite.

GEORGES

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