Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1860

Allan Kardec

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Deus criou a semente humana, que espalhou nos mundos, como o lavrador lança nos sulcos o grão que deve germinar e amadurecer. As sementes divinas são moléculas de fogo que Deus faz saltar do grande foco, centro de vida, onde ele se irradia em seu poder. Essas moléculas são para a Humanidade aquilo que são os germes das plantas para a terra; elas se desenvolvem lentamente, e só amadurecem após longos períodos de estadia nos planetas-mães, onde se forma o começo das coisas. Falo apenas do princípio. O ser chegado à sua condição de homem se reproduz, e a obra de Deus está consumada.

Por que, sendo comum o ponto de partida, são tão diversos os destinos humanos? Por que uns nascem num meio civilizado e outros no estado selvagem?

Qual é, então, a origem dos demônios? Retomemos a história do Espírito em sua primeira eclosão. Apenas formadas, hesitantes e balbuciando, as almas são, entretanto, livres de inclinar-se para o bem ou para o mal. Desde que viveram, os bons separam-se dos maus. A história de Abel é ingenuamente verdadeira. As almas ingratas apenas saídas das mãos do Criador, persistem na revolta do crime; então, na sucessão dos séculos, elas erram, prejudicando aos outros e, sobretudo, a si mesmas, até que o arrependimento as toque, o que acontece infalivelmente. Então, os primeiros demônios são os primeiros homens culpados. Na sua imensa justiça, Deus só impõe os sofrimentos que resultam dos atos maus. A Terra deveria ser inteiramente povoada, mas não o poderia ser igualmente e, segundo o grau de adiantamento obtido nas migrações terrestres, uns nascem nos grandes centros de civilização, e outros, Espíritos incertos, que ainda necessitam de iniciação, nascem nas florestas recuadas. O estado selvagem é preparatório. Tudo é harmonioso, e a alma culpada e cega de um demônio da Terra não pode reviver num centro esclarecido. Contudo, algumas se aventuram nesse meio que não é o seu. Se aí não podem marchar em uníssono, dão o espetáculo da barbárie em meio à civilização. Esses são os seres desterrados.

O estado embrionário é o de um ser que ainda não sofreu migração. Não se pode estudá-lo à parte, porque é a origem do homem.

GEORGE

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