Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1860

Allan Kardec

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Nessa reunião íntima e familiar, um dos sócios, Sr. Guillaume, teve a bondade de expor os sentimentos dos espíritas lioneses na alocução que segue. Lendo-a, todos compreenderão que devemos ter hesitado em publicá-la na Revista, apesar do desejo que nesse sentido nos foi expresso. Assim, só cedendo a instâncias foi que concordamos, temerosos, por outro lado, de que a recusa pudesse significar falta de reconhecimento aos testemunhos de simpatia que recebemos. Rogamos, pois, aos leitores, que façam abstração da pessoa e não vejam nas palavras senão uma homenagem prestada à Doutrina.

“Ao Sr. Allan Kardec; ao zeloso propagador da Doutrina Espírita!

“É à sua coragem, às suas luzes e à sua perseverança devotada que devemos a felicidade de estarmos hoje reunidos, neste banquete simpático e fraterno.

“Que todos os espíritas de Lyon jamais esqueçam que, se têm a felicidade de sentir-se melhorados, malgrado todas as influências perniciosas que sempre desviam o homem do caminho do bem, devem-no ao Livro dos Espíritos.

“Se sua existência se suavizou; se seu coração está mais depurado e mais afetuoso; se expulsaram a cólera e a vingança, devem-no ao Livro dos Espíritos.

“Se na vida privada suportam com coragem os revezes da fortuna; se repelem todos os meios baseados na astúcia e na mentira, para adquirirem os bens terrenos, devem-no ao Livro dos Espíritos, que os fez compreenderem a prova e acendeu-lhes a luz que expulsa as trevas.

“Se um dia, que talvez não esteja longe, os homens se tornarem humanos, fraternos e dedicados a uma mesma fé; se a caridade não mais for para eles uma palavra vã, isso ainda deverão ao Livro dos Espíritos, ditado pelos melhores dentre eles ao Sr. Allan Kardec, escolhido para espalhar a luz.

“À união sincera dos espíritas lioneses! À Sociedade Espírita Parisiense, cuja radiação a todos nos esclareceu, que é a sentinela avançada, encarregada de limpar a difícil estrada do progresso! Paris é o cérebro do Espiritismo, como Lyon deve merecer, por sua união, seu trabalho, suas luzes e seu amor, ser considerada o seu coração.

“Quando o coração e o espírito estiverem unidos na mesma fé, para atingir o mesmo objetivo, bem logo só haverá na França irmãos amorosos e dedicados.

Cresçamos, pois, pela união no amor, e em breve os nossos sentimentos, os nossos princípios cobrirão o mundo inteiro. O Espiritismo, senhoras e senhores, é o único meio para chegarmos prontamente ao Reino de Deus.

“Honra à Sociedade Espírita Parisiense! Honra ao Sr. Allan Kardec, o fundador e o primeiro elo da grande corrente espírita!”

GUILLAUME

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