Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1860

Allan Kardec

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No estudo do Espiritismo há um grave erro, que cada dia mais se propaga e que se torna quase o móvel que faz os outros virem a nós: é o de nos julgarem infalíveis nas respostas. Pensam que tudo devemos saber, tudo ver, tudo prever. Erro! Grande erro! Certamente, nossa alma não mais estando encerrada num corpo material, como um pássaro numa gaiola, lança-se no espaço; os sentidos dessa alma tornam-se mais sutis, mais desenvolvidos; vemos e ouvimos melhor, mas não podemos saber tudo, estar em toda parte, porque não temos o dom da ubiquidade. Que diferença haveria, então, entre nós e Deus, se nos fosse permitido conhecer o futuro e anunciá-lo pontualmente? Isto é impossível. Sabemos mais que os homens, certamente; por vezes podemos ler no pensamento e no coração dos que nos falam, mas aí se detém a nossa ciência espírita. Corrigi-vos, pois, da ideia de nos interrogar unicamente para saber o que se passa em tal ou qual parte do vosso globo, em relação a uma descoberta material, comercial, ou para serdes advertidos do que se passará amanhã, nos negócios políticos ou industriais. Nós vos informaremos sempre sobre o nosso estado, sobre nossa existência extracorpórea, sobre a bondade e a grandeza de Deus, enfim, sobre tudo quanto possa servir à vossa instrução e à vossa felicidade presente e futura, mas não nos pergunteis o que não podemos nem devemos dizer-vos.

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