Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1859

Allan Kardec

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Leitura da ata da sessão de 23 de setembro.

Apresentação do Sr. S..., negociante, Cavaleiro da Legião de Honra, como membro efetivo. Adiamento de sua admissão para a próxima sessão particular.

Comunicações diversas:

1º. Leitura de uma comunicação espontânea dada ao Sr. R... pelo Espírito do Dr. Olivier. Essa comunicação é notável sob dois pontos de vista: o melhoramento moral do Espírito que, cada vez mais, reconhece o erro de suas opiniões terrenas e agora compreende sua posição; em segundo lugar, o fato de sua próxima reencarnação, cujos efeitos começa a sentir por um princípio de perturbação, o que confirma a teoria que foi dada sobre a maneira pela qual se opera tal fenômeno, e a fase que precede a reencarnação propriamente dita. Essa perturbação, consequência do laço fluídico que começa a estabelecer-se entre o Espírito e o corpo que deve ser por ele animado, torna a comunicação mais difícil do que em seu estado de completa liberdade. O médium escreve com mais lentidão e sente a mão pesada. As ideias do

Espírito são menos lúcidas. Essa perturbação, que vai sempre aumentando, da concepção ao nascimento, é completada ao aproximar-se esse último momento, e não se dissipa senão gradualmente, algum tempo depois.
Será publicada com as outras comunicações do mesmo Espírito.

2º. História da manifestação física espontânea ocorrida ultimamente em Paris, numa casa do bairro de Saint Germain, e relatada pelo Sr. A... Um piano se fez ouvir durante vários dias seguidos, sem que ninguém o tocasse. Todas as precauções tinham sido tomadas para assegurar-se de que o fato não era devido a nenhuma causa acidental.

Interrogado a respeito, um sacerdote achou que devia ser uma alma penada reclamando assistência e com vontade de comunicar-se.

3º. Assassínio cometido por um menino de sete anos e meio, com premeditação e todas as circunstâncias agravantes. Relatado por vários jornais, prova o fato que nesse menino o instinto assassino inato não pode ter sido desenvolvido nem pela educação, nem pelo meio em que se encontra, não podendo assim explicar-se senão por um estado anterior à existência atual.

Interrogado a respeito, respondeu São Luís que o Espírito do menino está quase no início do período humano. Não tem mais que duas encarnações na Terra. Antes de sua existência atual pertencia às tribos mais atrasadas das ilhas marítimas. Quis nascer num mundo mais adiantado, na esperança de progresso.

Ao questionamento para saber se a educação poderia modificar essa natureza, respondeu São Luís: “É difícil, mas possível. Seria preciso tomar grandes precauções; cercá-lo de boas influências; desenvolver a sua razão, mas temo que se faça exatamente o contrário”.

4º. Leitura de um trabalho em versos, escrito por uma jovem que começa a trabalhar como médium mecânica. Reconheceu-se que os versos não eram inéditos e eram da autoria de poeta falecido há alguns anos. O estado de instrução da médium, que escreveu um grande número de poesias desse gênero, não permite supor seja realmente um produto de sua memória. Daí deve-se concluir que o Espírito que se manifestou trouxe, ele mesmo, essas produções já feitas e que são estranhas à médium.

Vários fatos análogos provam que isto é possível, entre outros o de um médium da Sociedade ao qual um Espírito ditou uma passagem escrita pelo Sr. Allan Kardec e que ele não tinha ainda mostrado a ninguém.

Estudos:

1º. Evocação do negro que serviu de alimento aos seus companheiros no naufrágio do navio Le Constant.

2º. Perguntas diversas e problemas morais dirigidos a São Luís sobre o fato precedente. A respeito estabeleceu-se uma discussão entre vários membros da Sociedade.

3º. Três comunicações espontâneas foram obtidas simultaneamente, através de três médiuns diferentes: a primeira, pelo Sr. R..., assinada São Vicente de Paulo; a segunda, pelo Sr. Ch..., assinada Privat d’Anglemont; a terceira, pela Srta. H..., assinada Carlos IX.

4º. Perguntas diversas dirigidas a Carlos IX. Ele promete escrever a história de seu reinado, a exemplo de Luís XI.
(Essas diversas comunicações são publicadas).

SEXTA-FEIRA, 7 DE OUTUBRO DE 1859
(SESSÃO PARTICULAR)

Leitura da ata dos trabalhos da sessão de 30 de setembro. Apresentações e admissões:

Srta. S... e Sr. Conde de R..., oficial de marinha, apresentados como candidatos ao título de membros efetivos.

Admissão dos cinco candidatos apresentados na sessão de 23 de setembro e da Srta. S...

O senhor presidente observou, a respeito dos novos membros apresentados, que para a Sociedade é muito importante assegurar-se das suas disposições. Não basta, diz ele, que sejam partidários do Espiritismo em geral. É necessário que concordem com a sua maneira de ver. A homogeneidade de princípios é condição sem a qual uma sociedade qualquer não poderia ter vitalidade. É, pois, necessário conhecer a opinião dos candidatos, a fim de não permitir que sejam introduzidos elementos de discussões ociosas, que acarretariam perda de tempo e poderiam degenerar em
dissensões.

A Sociedade não visa de modo algum ao aumento indefinido de seus membros. Antes de mais nada, objetiva ela prosseguir seus trabalhos com calma e recolhimento. Por isso deve evitar tudo o que possa perturbá-la.

Sendo seu objetivo o estudo da Ciência, é evidente que cada um é perfeitamente livre para discutir os pontos controvertidos e emitir sua opinião pessoal. Outra coisa, porém, é dar conselho ou chegar com ideias sistemáticas e preconcebidas, em oposição às bases fundamentais.

Nós nos reunimos para o estudo e a observação e não para transformar nossas sessões numa arena de controvérsias. Aliás, em relação a esses pontos devemos reportar-nos aos conselhos que nos foram dados, em múltiplas circunstâncias pelos Espíritos que nos assistem e que incessantemente nos recomendam a união como condição essencial para atingir o objetivo a que nos propomos e obter o seu concurso. “A união faz a força, dizem-nos eles. Sede pois unidos se quiserdes ser fortes. Do contrário arriscai-vos a atrair os Espíritos levianos, que vos enganarão.” É por isso que nunca seria demasiada a atenção dispensada aos elementos que introduzimos em nosso meio.

Designação de três novos comissários para as três próximas sessões gerais. Comunicações diversas:

1º. O Sr. Tug transmite uma nota sobre um fato curioso de manifestação física contado pela Sra. Ida Pfeiffer no relato de sua viagem a Java.

2º. O Sr. Pêch... relata um caso pessoal de comunicação espontânea com o Espírito de uma mulher que em vida era lavadeira e tinha o pior caráter. Como Espírito, seus sentimentos não mudaram e ela continua a mostrar uma maldade verdadeiramente cínica. Entretanto, os sábios conselhos do médium parece que exercem sobre ela uma influência benéfica, pois suas ideias modificam-se sensivelmente.

3º. O Sr. R... apresenta uma folha na qual obteve a escrita direta, produzida à noite, em sua casa, espontaneamente, depois de em vão tê-la solicitado durante o dia.

Aliás, a folha contém apenas duas palavras: Deus, Fénelon. Estudos:

1º. Evocação da Sra. Ida Pfeiffer, célebre viajante.

2º. Os três cegos, parábola de São Lucas, dada em comunicação espontânea.

3º. O Sr. L. G... escreve de São Petersburgo dizendo que é médium intuitivo e pede à Sociedade o obséquio de obter de um Espírito superior alguns conselhos a seu respeito, a fim de esclarecê-lo sobre a natureza e extensão de sua faculdade, para que possa guiar-se de acordo com os mesmos. Um Espírito dá espontaneamente, e sem perguntas prévias, os conselhos que deverão ser transmitidos ao Sr. G...

O senhor presidente avisa que, a pedido de vários membros que moram muito longe, as sessões começarão de ora em diante às oito horas, a fim de que sejam terminadas mais cedo.

Leitura da ata dos trabalhos da sessão de 7 de outubro.

Apresentações:

O Sr. A..., livreiro, e o Sr. de la R..., proprietário, são apresentados como membros efetivos. Adiamento da admissão para a próxima sessão particular.

O Sr. J..., fiscal de rendas no departamento do Alto Reno é apresentado e admitido como membro correspondente.

Comunicações diversas:

1º. O Sr. Col... divulga um extrato da obra intitulada “Ciel et Terre”, do Sr. Jean Raynaud, onde o autor emite ideias inteiramente de acordo com a doutrina espírita e com o que ultimamente disse o Espírito sobre o futuro papel da França.

2º. O conde de R... informa de uma comunicação espontânea de Savonarola, monge dominicano, obtida numa sessão particular. Essa comunicação é notável porque esse personagem, embora desconhecido dos assistentes, indicou com precisão a data de sua morte, ocorrida em 1498, a sua idade e os seus suplícios.

Admite-se que poderia ser instrutiva a evocação desse Espírito.

3º. Explicação dada por um Espírito sobre o papel dos médiuns, ao Sr. P..., antigo reitor da Academia e também médium. Para comunicar-se entre si, os Espíritos não necessitam da palavra. Basta-lhes o pensamento. Quando querem comunicar-se com os homens, devem traduzir seu pensamento em signos humanos, isto é, em palavras. Tiram essas palavras do vocabulário do médium de que se servem, de certo modo como de um dicionário. Por isso é mais fácil ao Espírito exprimir-se na língua familiar do médium, mesmo podendo fazê-lo numa língua que o médium não conheça. Mas então o trabalho seria mais difícil, por isso o evita, quando não é necessário.

O Sr. P... acha nessa teoria a explicação de vários fatos que lhe são pessoais e relativos a comunicações que lhe foram dadas por diversos Espíritos em latim e em grego.

4º. Fato relatado pelo mesmo, de um Espírito que assiste ao enterro de seu próprio corpo e que, não se julgando morto, não pensava que o enterro lhe dissesse respeito. Dizia ele: Não fui eu que morri. Depois, quando viu os parentes, acrescentou: Começo a pensar que talvez você tenha razão, e que é bem possível que eu não seja mais deste mundo, mas isto me é indiferente.

5º. O Sr. S... relata um fato notável de advertência de além-túmulo, referido pelo La Patrie de 16 de dezembro de 1858.

6º. Carta do Sr. Bl... de La... que, levando em consideração o que leu na Revista sobre o fenômeno do desprendimento da alma durante o sono, pergunta se a Sociedade teria a bondade de evocá-lo um dia, juntamente com sua filha, que perdeu há dois anos, a fim de, como Espírito, ter com ela uma conversa que ainda não conseguiu como médium.

Estudos:

1º. Evocação de Savonarola, proposta pelo conde de R...

2º. Evocação simultânea por dois médiuns diferentes, do Sr. Bl... de La... (vivo) e de sua filha falecida há dois anos. Conversa do pai com a filha.

3º. Duas comunicações espontâneas são obtidas simultaneamente, a primeira de São Luís, pelo Sr. L... e a segunda da Srta. Clary, por seu irmão.

SEXTA-FEIRA. 21 DE OUTUBRO DE 1859
(SESSÃO PARTICULAR)

Leitura da ata dos trabalhos da sessão de 14 de outubro.

Apresentações e admissões:

O Sr. Lem..., negociante, e o Sr. Pâq..., doutor em direito, foram apresentados como membros efetivos. A Srta. H... foi apresentada como membro honorário, à vista do concurso dado à Sociedade como médium, e que promete dar ainda para o futuro.

Admissão dos dois candidatos apresentados na sessão de 14 de outubro e da Srta. H...

O Sr. S... propõe que no futuro as pessoas que desejarem fazer parte da Sociedade o solicitem por escrito e que lhes seja enviado um exemplar do regulamento.

Leitura de uma carta do Sr. Th..., que faz proposição análoga, motivada pela necessidade de se admitirem na Sociedade apenas pessoas já iniciadas no objetivo de seus trabalhos e que professem os mesmos princípios. Ele pensa que um pedido feito por escrito e com assinatura de dois apresentantes é uma garantia maior das intenções sérias do candidato do que um simples pedido verbal.

Esta proposição foi adotada por unanimidade, nos seguintes termos:

Toda pessoa que deseje fazer parte da Sociedade Parisiense de Estudos

Espíritas deverá fazer o pedido por escrito ao Presidente. Esse pedido deverá ser assinado por dois apresentantes e relatar: lº. ─ que o postulante tomou conhecimento do regulamento e se compromete a observá-lo; 2º. ─ as obras lidas sobre Espiritismo e sua adesão aos princípios da Sociedade, que são os do Livro dos Espíritos.

O senhor Presidente assinala a conduta pouco conveniente de dois assistentes admitidos na última sessão geral, os quais perturbaram a tranquilidade dos vizinhos, por sua conversação e por palavras fora de propósito. A respeito, lembra os artigos do regulamento, relativos aos ouvintes, e novamente concita os senhores membros da Sociedade a uma excessiva reserva na escolha das pessoas às quais dão cartões de ingresso e, sobretudo, que se abstenham de modo absoluto de dar tais cartões a todo aquele que seja atraído por simples curiosidade e também aos que, não tendo nenhuma noção prévia do Espiritismo, sejam por isso mesmo impossibilitados de compreender aquilo que se faz na Sociedade. As sessões da Sociedade não são um espetáculo. Devem ser assistidas com recolhimento. Aqueles que só buscam distrações não devem vir procurá-las numa reunião séria.

O Sr. Th... propõe a nomeação de uma comissão de dois membros, encarregada de examinar a questão das entradas concedidas às pessoas estranhas e propor as medidas necessárias a fim de evitar a repetição de abusos. Foram designados os Srs.

Th... e Col... para composição dessa comissão.

Estudos:

1º. Problemas morais e perguntas diversas dirigidas a São Luís.

2º. O Sr. R... propõe a evocação de seu pai, por considerações de utilidade geral e não particulares, presumindo que disto possam advir ensinamentos. Interrogado sobre a possibilidade dessa evocação, responde São Luís: Vós podereis fazê-lo perfeitamente. Entretanto eu observaria, meus amigos, que essa evocação requer uma grande tranquilidade de espírito. Esta noite discutistes longamente negócios administrativos. Julgo que seria bom adiá-la para outra sessão, visto que pode ser muito instrutiva.

3º. O Sr. Leid... propõe a evocação de um de seus amigos que foi padre. Interrogado, responde São Luís: “Não, porque, para começar, o tempo é escasso. Em segundo lugar, como Presidente espiritual da Sociedade, eu não vejo nisso nenhum motivo de instrução. Seria preferível fazer essa evocação na intimidade”.

O Sr. S... pede que se mencione na ata o título de Presidente espiritual, que São Luís aceitou de bom grado.

SEXTA-FEIRA, 28 DE OUTUBRO DE 1859 (SESSÃO GERAL)

Leitura da ata dos trabalhos da sessão de 21 de outubro. Apresentação de cinco novos candidatos, como membros efetivos, a saber: Sr. N..., negociante, de Paris; Sra. Émilie N..., esposa do precedente; Sra. G..., viúva, de Paris; Srta. de P..., de Estocolmo; Srta. L..., de Estocolmo. Leitura dos artigos do regimento relativos aos ouvintes e de uma notícia para instrução das pessoas estranhas à Sociedade, a fim de que as mesmas não se equivoquem quanto ao objetivo dos trabalhos.
Comunicações:

1º. Leitura de um artigo do Sr. Oscar Comettant sobre o mundo dos Espíritos, publicado no Le Siècle de 27 de outubro. Refutação de certas passagens desse artigo.

2º. Leitura de um artigo de um novo jornal intitulado Girouette, publicado em Saint Etienne. O artigo é escrito de forma benevolente para com o Espiritismo.

3º. Oferta de quatro poemas do Sr. de Porry, de Marselha, autor de Uranie, dosquais foram lidos alguns fragmentos. São eles: La Captive Chrétienne, Les Bohémiens, Poltawa e Le Prisonnier du Caucase. Serão enviados agradecimentos ao Sr. de Porry. As obras serão depositadas na biblioteca da Sociedade.

4º. Leitura de uma carta do Sr. Det..., membro efetivo, contendo diversas observações sobre o papel dos médiuns, a propósito da teoria exposta na sessão de 14 de outubro, e segundo a qual o Espírito retiraria suas palavras do vocabulário do médium. Ele combate tal teoria, pelo menos do ponto de vista absoluto, por fatos que a contradizem. Solicita que a questão seja examinada cuidadosamente. Ela será incluída na ordem do dia.

5º. Leitura de um artigo da Revue Française do mês de abril de 1858, pág. 416, onde é relatada uma conversa de Béranger, da qual resulta que em vida suas opiniões eram favoráveis às ideias espíritas.

6º. O Sr. Presidente transmite à Sociedade a despedida da Sra. Br..., membro titular que partiu para Havana.

Estudos:

1º. Proposta a evocação da Sra. Br..., que partiu para Havana, e que no momento se encontra no mar, a fim de obter as suas próprias notícias. Interrogado a respeito, responde São Luís: Seu Espírito está muito preocupado esta noite porque o vento sopra com violência (era na ocasião de grandes tempestades noticiadas pelos jornais) e o instinto de conservação toma-lhe todo o pensamento. No momento o perigo não é grande, mas não poderá tornar-se grande?

Só Deus o sabe.

2º. Evocação do pai do Sr. de R..., proposta na sessão de 21 de outubro. Resultaria dessa evocação que o cavaleiro de R..., seu tio, do qual não há notícias há cinquenta anos, não estaria morto. Habitaria uma ilha da Oceania Meridional, onde estaria identificado com os costumes de seus habitantes e de onde não teve possibilidade de dar notícias. Será publicada.

3º. Evocação do rei de Kanala, Nova Caledônia, falecido a 24 de maio de 1858. Essa evocação revela que é um Espírito de relativa superioridade, apresentando a característica notável de uma grande dificuldade de escrever, apesar da aptidão do médium. Anuncia que com o hábito escreverá mais facilmente, o que é confirmado
por São Luís.

4º. Evocação de Mercure Jean, aventureiro, que apareceu em Lyon em 1478 e foi apresentado a Luís XI. Ele fornece esclarecimentos sobre as faculdades sobrenaturais de que o supunham dotado e dá indicações curiosas sobre o mundo que atualmente habita. Será publicada.

SEXTA-FEIRA, 4 DE NOVEMBRO DE 1859 (SESSÃO PARTICULAR)

Leitura da ata dos trabalhos da sessão de 28 de outubro.

Admissão de sete candidatos apresentados nas duas sessões precedentes. Projeto apresentado pela comissão encarregada de estudar as medidas a serem tomadas para admissão de ouvintes.

Depois de uma discussão em que participam vários membros, é resolvido que a proposição seja adiada e que provisoriamente se obedeça às disposições do regulamento. Os senhores membros são convidados a uma rigorosa obediência aos dispositivos que regulam a admissão de ouvintes e a abster-se de modo absoluto de dar cartas de ingresso a quem quer que tenha em vista apenas a curiosidade e não possua nenhuma noção prévia da Ciência Espírita.

A Sociedade adota, então, as duas seguintes medidas:

1º. Os assistentes não serão admitidos às sessões depois das oito horas e um quarto. Os cartões de ingresso mencionarão isso.

2º. Anualmente, no início do ano social, os membros honorários serão submetidos a novo voto de admissão, a fim de serem eliminados os que não mais estiverem nas condições requeridas, e que a Sociedade decida que não deve manter. O senhor administrador tesoureiro da Sociedade apresenta o balanço semestral de primeiro de abril a primeiro de outubro, assim como os comprovantes das despesas. Observa-se, pelo balanço, que a Sociedade tem um saldo suficiente para fazer face às suas necessidades. A Sociedade aprova as contas do tesoureiro e emite seu parecer favorável.

Comunicações diversas:

Carta do Sr. Bl... de La... em resposta à remessa da evocação de sua filha e da sua própria. Ele constata um fato, que confirma uma das circunstâncias da evocação.

Carta do Sr. Dumas, de Sétif, na Argélia, membro efetivo, remetendo à Sociedade um certo número de comunicações por ele obtidas.

Estudos:

1º. O Sr. P... e o Sr. de R... chamam a atenção para uma nova versão do naufrágio do navio Le Constant, publicada no Le Siècle. Vê-se por aí que o negro morto para ser comido não se teria oferecido voluntariamente, como consta do primeiro relato. Assim, haveria uma contradição com as palavras do Espírito do negro. O Sr. Col... não vê contradição, pois o mérito atribuído ao negro foi constatado por São Luís, e o negro nem mesmo disto se prevaleceu.

2º. Exame de uma pergunta proposta pelo Sr. Les... sobre o espanto dos Espíritos depois da morte. Pensa ele que o Espírito, já tendo vivido na condição de Espírito, não deveria espantar-se. É-lhe respondido que esse espanto é apenas temporário; que depende do estado de perturbação que se segue à morte e que cessa à medida que o Espírito se desprende da matéria e recupera suas faculdades de Espírito.

3º. Pergunta sobre os sonâmbulos lúcidos, que confundem os Espíritos com os seres corporais. O fato é confirmado e explicado por São Luís.

4º. Evocação de Urbain Grandier. Como as respostas são muito lacônicas, por causa da falta de hábito do médium, o Espírito disse que seria mais explícito através de outro intérprete. Por isso a evocação foi transferida para outra sessão.

SEXTA-FEIRA, 11 DE NOVEMBRO DE 1859 (SESSÃO GERAL)56

Leitura da ata.

Apresentação do Sr. Pierre D..., escultor em Paris, como membro efetivo. Comunicações diversas:

1º. Carta do Sr. de T..., contendo fatos muito interessantes de manifestações visuais e verbais que confirmam o estado de certos Espíritos que duvidam de sua morte. Um dos casos referidos oferece a particularidade de que o Espírito em questão ainda permanecia nessa ilusão mais de três meses após a morte. Essa descrição será publicada.

2º. Fatos de notável precisão referidos pelo Sr. Van Br..., de Haya, e de caráter pessoal. Jamais tinha ele ouvido falar dos Espíritos e de sua comunicação quando, por acaso e inopinadamente, foi conduzido a uma sessão espírita em Dordrecht. As comunicações obtidas em sua presença o surpreenderam tanto mais quanto ele era estranho àquela cidade e desconhecido dos membros da reunião.

Disseram-lhe sobre a sua pessoa, sua posição e sua família uma porção de particularidades de que só ele tinha conhecimento.

Tendo evocado sua mãe e lhe perguntado, como prova de identidade, se ela havia tido vários filhos, ela respondeu: “Não sabes, meu filho, que eu tive onze filhos?” E o Espírito designou todos por seus prenomes e pelas datas de nascimento.

Desde então esse senhor é um adepto fervoroso, e sua filha, uma jovem de quatorze anos, tornou-se uma boa médium, mas sua mediunidade apresenta particularidades bizarras. A maior parte do tempo escreve às avessas, de modo que para ler-se o que recebe é preciso pôr as folhas diante de um espelho. Muitas vezes, também, a mesa de que se serve para escrever inclina-se diante dela como uma carteira e fica nessa posição equilibrada e sem calços até que ela acabe de escrever. O Sr. Van Br... relata outro fato notável de precisão por um Espírito que com ele se comunica espontaneamente, com o nome Dirkse Lammers e que se enforcou no próprio local onde dava sua comunicação, em circunstâncias cuja exatidão foi verificada.

Esse relato será publicado, bem como a evocação dele decorrente.

Estudos:

1º. Exame da pergunta feita pelo Sr. Det.... sobre a fonte em que os Espíritos buscam seu vocabulário.

2º. Pergunta sobre a obsessão de certos médiuns.

3º. Evocação de Michel François, o ferreiro que fez uma revelação a Luís XIV.

4º. Evocação de Dirkse Lammers, cuja história foi contada anteriormente.

5º. Três comunicações espontâneas foram obtidas simultaneamente. A primeira 56 No original lê-se 11 de novembro de 1854, visível engano tipográfico. Nesse ano não existia ainda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. (N. do T.) pelo Sr. R..., assinada por Lamennais; a segunda pelo Sr. D... fils: o Menino e o Regato, parábola assinada por São Basílio; a terceira pela Srta. L. J..., assinada por Orígenes.

6º. A Srta. J..., médium desenhista, traça espontaneamente um admirável conjunto de figuras, assinado pelo Espírito de Lebrun. Todas as perguntas e comunicações acima serão publicadas.

SEXTA-FEIRA, 18 DE NOVEMBRO DE 1859 (SESSÃO PARTICULAR)

Leitura da ata.

Admissão do Sr. Pierre D..., apresentado na última sessão. Comunicações diversas:

1º. Leitura de uma comunicação espontânea obtida pelo Sr. P..., membro da Sociedade, ditada pelo Espírito de sua filha.

2º. Detalhes sobre a Srta. Désiré Godu, residente em Hennebont, Morbihan, dotada de notável faculdade mediadora. Ela passou por todas as fases da mediunidade. A princípio teve as mais extraordinárias manifestações físicas; depois tornou-se sucessivamente médium auditiva, falante, vidente e escrevente. Hoje todas as suas faculdades estão concentradas na cura dos doentes, que trata a conselho dos Espíritos. Opera curas que noutros tempos seriam consideradas miraculosas.

Os Espíritos anunciam que sua faculdade se desenvolverá ainda mais. Ela começa a ver as doenças internas, por efeito da segunda vista, sem estar em sonambulismo.

Sobre esse assunto admirável, daremos notícias oportunamente. Estudos:

1º. Pergunta sobre a faculdade da Srta. Désiré Godu.

2º. Evocação de Lamettrie.

3º. Quatro comunicações espontâneas obtidas simultaneamente, a primeira pelo Sr. R..., assinada por São Vicente de Paulo; a segunda pelo Sr. Col..., assinada por Platão; a terceira pelo Sr. D... filho, assinada por Lamennais; a quarta pela Srta. H... assinada Margarida, chamada a rainha Margot.

25 DE NOVEMBRO DE 1859

(SESSÃO GERAL)

Leitura da ata.

Comunicações diversas:

O Sr. Dr. Morhéry dá de presente à Sociedade uma brochura intitulada Système pratique d’organisation agricole. Conquanto essa obra seja sobre assunto estranho aos trabalhos da Sociedade, será levada para a biblioteca e serão mandados agradecimentos ao autor.

Carta do Sr. T..., completando informações sobre visões e aparições por ele relatadas na sessão de 11 de novembro.

Carta do Sr. Conde de R..., membro titular, ausente devido a uma indisposição, e que se põe à disposição da Sociedade para que esta faça com ele todas as experiências que julgar convenientes, com referência à evocação de pessoas vivas.

Estudos:

1º. Evocação de Jardin, falecido em Nevers, que havia conservado os restos de sua esposa num genuflexório. Será publicada.
3º. Evocação do Sr. Conde de R... Essa evocação, de uma importância notável pela extensão dos desenvolvimentos dados, com uma perfeita precisão e grande clareza de ideias, lança uma grande luz sobre o estado do Espírito separado do corpo, e resolve numerosos problemas psicológicos. Será publicada na Revista de janeiro de 1860.

4º. Quatro comunicações espontâneas foram obtidas simultaneamente, a saber: A primeira de uma alma sofredora, pela Sra. B...; a segunda do Espírito de Verdade, pelo Sr. R...; a terceira de Paulo, o Apóstolo, pelo Sr. Col... Esta comunicação está assinada em grego. A quarta pelo Sr. Did... filho, assinada Charlet, o pintor, que anuncia uma série de comunicações que devem formar um todo.

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