Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1859

Allan Kardec

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Amai-vos uns aos outros, eis toda a lei, lei divina, pela qual Deus cria incessantemente e governa os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados. A atração é a lei de amor para a matéria inorgânica.

Não vos esqueçais nunca de que o Espírito, seja qual for o seu grau de adiantamento e a sua situação, seja numa reencarnação, seja na erraticidade, está sempre colocado entre um superior que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, perante o qual tem os mesmos deveres a cumprir.

Sede pois caridosos, não somente dessa caridade que vos leva a tirar do bolso o óbolo que dais friamente àquele que ousa vo-lo pedir, mas ide à procura das misérias ocultas.

Sede indulgentes para com os erros dos vossos semelhantes. Em lugar de desprezar a ignorância e o vício, instruí-os e moralizai-os. Sede mansos e benevolentes para com tudo o que vos é inferior. Sede-o, mesmo perante os mais ínfimos seres da criação, e tereis obedecido à lei de Deus.

VICENTE DE PAULO

OBSERVAÇÃO: Os Espíritos considerados pelos homens como santos, geralmente não se apresentam com essa qualidade. Assim, São Vicente de Paulo assina simplesmente Vicente de Paulo; São Luís assina Luís. Ao contrário, aqueles que usurpam nome e qualidades que lhes não pertencem, muito comumente exibem falsos títulos, sem dúvida pensando impor-se mais facilmente. Contudo, essa máscara não pode enganar a quem quer que se dê ao trabalho de lhes estudar a linguagem. A dos Espíritos realmente superiores tem um cunho que não permite enganar-nos.
(18 DE NOVEMBRO DE 1859. MÉDIUM, SR. R.)

A união faz a força. Sede unidos e sereis fortes. O Espiritismo germinou; lançou raízes profundas; vai estender sobre a Terra seus ramos benfazejos. Deveis tornar-vos invulneráveis às setas envenenadas da calúnia e da negra falange dos ignorantes, dos egoístas e dos hipócritas. Para chegar a isso, que as vossas relações sejam presididas por uma indulgência e uma benevolência recíprocas. Que os vossos defeitos passem despercebidos e que só as vossas qualidades sejam notadas. Que o facho da santa amizade reúna, esclareça e aqueça os vossos corações. Assim, resistireis aos ataques impotentes do mal, como o rochedo inabalável ante a vaga furiosa.

VICENTE DE PAULO
(23 DE SETEMBRO DE 1859. MÉDIUM, SR. R.).

Até o presente não encarastes a guerra senão do ponto de vista material: guerras intestinas, guerras de povos contra povos. Nela não vistes mais do que conquistas, escravidão, sangue, morte e ruínas. É tempo de considerá-la do ponto de vista moralizador e progressivo. A guerra semeia em sua passagem a morte e as ideias. As ideias germinam e crescem. Depois de se haver retemperado na vida espírita, vem o Espírito fazê-las frutificar. Não carregueis, pois, com as vossas maldições, o diplomata que preparou a luta, nem o capitão que conduziu seus soldados à vitória. Grandes lutas se preparam. Lutas do bem contra o mal, das trevas contra a luz, do Espírito de progresso contra a ignorância estacionária. Esperai com paciência, porque nem as vossas maldições, nem os vossos louvores poderão mudar a vontade de Deus. Ele saberá sempre manter ou afastar do teatro dos acontecimentos os seus instrumentos, conforme tenham eles cumprido a sua missão ou dela abusado, a fim de servir a seus pontos de vista pessoais, do poder que tiverem adquirido por seu sucesso. Tendes o exemplo do César moderno e o meu. Por várias existências miseráveis e obscuras eu tive que expiar as minhas faltas e, da última vez, vivi na Terra com o nome de Luís IX.

JÚLIO CÉSAR

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