Instruções práticas sobre as manifestações espíritas

Allan Kardec

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Caracteres gerais – Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões que lhes são consequentes.

Têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.

Nem todos são essencialmente maus. Nalguns há mais leviandade, inconsequência e malícia do que verdadeira maldade. Uns nem fazem o bem nem o mal; mas denotam inferioridade pelo simples fato de não fazerem o bem. Outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando se lhes apresenta ocasião de o praticar.

A inteligência pode aliar-se à maldade ou à malícia. Todavia, seja qual for o seu desenvolvimento intelectual, suas ideias são pouco elevadas e seus sentimentos mais ou menos abjetos.

Seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados e o pouco que sabem se confunde com as ideias e os preconceitos da vida corpórea. Não nos podem dar senão noções falsas e incompletas. Mas o observador atento sempre descobre em suas comunicações, mesmo imperfeitas, a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos superiores.

Seu caráter se revela pela linguagem. Todo Espírito que, em suas comunicações, trai um mau pensamento, pode ser catalogado na terceira ordem. Conseguintemente, todo mau pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito desta ordem.

Eles veem a felicidade dos bons, o que lhes é um tormento incessante, pois experimentam todas as angústias produzidas pela inveja e pelo ciúme.

Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corpórea e essa impressão é por vezes mais penosa que a realidade. Sofrem, pois, realmente os males que suportaram e os que causaram aos outros; e como sofrem muito tempo, creem sofrer sempre. Para os punir, quer Deus que pensem que é assim.

Podem ser divididos em quatro grupos principais[1].



[1] Esta escala é a mesma dada em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Ed. de "O Pensamento", por nós traduzida da 22ª edição. O leitor notará, entretanto, que entre as nove classes do presente volume e as dez classes do volume citado a única diferença é o aparecimento da classe dos ESPÍRITOS BATEDORES E PERTURBADORES, que ocupou o 6º lugar. Assim, houve uma alteração na numeração das classes, 9ª, 8ª, 7ª e 6ª, desta obra, que passaram, em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, para 10ª, 9ª, 8ª e 7ª classes; introduziu-se a 6ª classe e as restantes classes mais elevadas ficaram inalteradas.

O fato se explica: Allan Kardec fez sucessivas ampliações em O LIVRO DOS ESÍRITOS e só lhe deu caráter definitivo, que não mais se alterou, na 13ª edição. Foi antes disso que lançou a presente obra. Mas depois da edição de O LIVRO DOS ESPÍRITOS não mais reeditou As instruções. N. do T.

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