Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1858

Allan Kardec

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O DOUTOR MUHR

1. Evocação.
─ Eis-me aqui.
2. ─ Teríeis a bondade de nos dizer onde vos achais?
─ Estou errante.
3. ─ Vossa morte ocorreu a 4 de junho deste ano?
─ Não. Do ano passado.
4. ─ Tendes lembrança de vosso amigo Sr. Jobard?
─ Sim, frequentemente estou ao seu lado.
5. ─ Quando eu lhe transmitir esta resposta ele terá prazer, pois que sempre vos teve uma grande afeição.
─ Eu sei. É um dos Espíritos que me são mais simpáticos.
6. ─ Em vida, que pensáveis que fossem os gnomos?
─ Supunha que fossem seres capazes de materializar-se e de tomar formas fantásticas.
7. ─ Ainda acreditais nisso?
─ Mais do que nunca. Agora tenho certeza. Mas gnomo é um vocábulo que lembra muito a magia. Agora prefiro dizer Espírito em vez de gnomo.
NOTA: Em vida ele acreditava nos Espíritos e em sua manifestação. Apenas os chamava de gnomos, ao passo que agora prefere a denominação genérica de Espíritos.
8. ─ Ainda credes que os Espíritos que em vida chamáveis gnomos possam tomar fantásticas formas materiais?
─ Sim, mas sei que isto nem sempre acontece, porque há pessoas que poderiam ficar loucas se vissem as aparências que tais Espíritos podem tomar.
9. ─ Que aparências podem ser essas?
─ De animais, de diabos.
10. ─ Uma aparência material tangível ou uma pura aparência, como em sonhos e visões?
─ Um pouco mais material que nos sonhos. As aparições que nos poderiam amedrontar não podem ser tangíveis. Deus não o permitiria.
11. ─ A aparição do Espírito de Bergzabern, sob a forma de homem ou de animal, seria dessa natureza? ─ Sim, é desse gênero.
NOTA: Não sabemos se em vida ele admitia que os Espíritos pudessem tomar uma forma tangível, mas é evidente que agora se refere à forma vaporosa e impalpável das aparições.
12. ─ Acreditais que ireis reencarnar em Júpiter?
─ Irei para um mundo que ainda não se iguala a Júpiter.
13. ─ É por vossa própria escolha que ides para um mundo inferior a Júpiter ou porque ainda não mereceis ir para esse planeta? ─ Prefiro acreditar que não mereço e desempenhar uma missão em um mundo menos adiantado. Sei que alcançarei a perfeição e por isso prefiro ser modesto.
NOTA: Esta resposta é prova da superioridade desse Espírito e está em concordância com o que nos diz o Padre Ambrósio: Há mais mérito em pedir uma missão num mundo inferior do que querer adiantar-se muito num mundo superior.
14. ─ O Sr. Jobard pediu-nos que vos perguntássemos se havíeis ficado contente com o vosso necrológio, escrito por ele.
─ Jobard deu-me nova prova de simpatia escrevendo aquilo. Agradeço e desejo que o quadro um tanto exagerado que fez de minhas virtudes e habilidades possa servir entre vós de exemplo aos que percorrem a senda do progresso.
15. ─ Considerando-se que em vida fostes homeopata, o que pensais agora da homeopatia?
─ A homeopatia é o começo da descoberta dos fluidos latentes. Muitas outras descobertas igualmente preciosas serão feitas e virão formar um todo harmonioso que conduzirá vosso globo à perfeição.
16. ─ Que valor atribuís ao vosso livro Le Médecin du Peuple?
─ É a pedra do operário que levei à obra.
NOTA: A resposta que o Espírito deu sobre a homeopatia vem em apoio à ideia dos fluidos latentes, que já nos foi dada pelo Espírito do Sr. Badet, a respeito de sua imagem fotografada. Depreende-se que há fluidos cujas propriedades nos são desconhecidas ou que nos passam despercebidas, porque sua ação não é ostensiva, posto não seja menos real. A Humanidade se enriquece de conhecimentos novos à medida que as circunstâncias tornam conhecidas as suas propriedades.

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