Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1858

Allan Kardec

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  • 18. ─ A conformação do corpo dos seus habitantes tem relação com a nossa?
  • ─ Sim, ela é a mesma.
  • 19. ─ Podes dar-nos uma ideia de sua estatura, comparada com a dos habitantes
  • 27 Victorien Sardou, médium psicógrafo que trabalhou com Allan Kardec. Embora não soubesse desenho, foi o
  • instrumento para os esplêndidos quadros de cenas de outros planetas. Foi membro da Academia Francesa e um dos mais
  • fecundos comediógrafos franceses. (N. do T.)
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  • da Terra?
  • ─ Grandes e bem proporcionados. Maiores que os vossos maiores homens. O
  • corpo do homem é como o molde de seu espírito: belo, onde ele é bom. O envoltório
  • é digno dele: não é mais uma prisão.
  • 20. ─ Lá os corpos são opacos, diáfanos ou translúcidos?
  • ─ Há uns e outros. Uns têm tal propriedade, outros têm outra, conforme a sua
  • finalidade.
  • 21. ─ Compreendemos isto em relação aos corpos inertes. Mas nossa pergunta
  • refere-se aos corpos humanos.
  • ─ O corpo envolve o Espírito sem ocultá-lo, como um tênue véu lançado sobre
  • uma estátua. Nos mundos inferiores o envoltório grosseiro oculta o Espírito aos seus
  • semelhantes. Mas os bons nada mais têm a ocultar: cada um pode ler no coração dos
  • outros. Que aconteceria se assim fosse aqui?
  • 22. ─ Lá existe diferença de sexo?
  • ─ Sim, há por toda parte onde existe a matéria; é uma lei da matéria.
  • 23. ─ Qual é a base da alimentação dos habitantes? É animal e vegetal como
  • aqui?
  • ─ Puramente vegetal. O homem é o protetor dos animais.
  • 24. ─ Disseram-nos que parte de sua alimentação é extraída do meio ambiente,
  • cujas emanações eles aspiram. É verdade?
  • ─ Sim.
  • 25. ─ Comparada com a nossa, a duração da vida é mais longa ou mais curta?
  • ─ Mais longa.
  • 26. ─ Qual é a duração média da vida?
  • ─ Como medir o tempo?
  • 27. ─ Não podes tomar um dos nossos séculos como termo de comparação?
  • ─ Creio que mais ou menos cinco séculos
  • 28. ─ O desenvolvimento da infância é proporcionalmente mais rápido que o
  • nosso?
  • ─ O homem conserva sua superioridade: a infância não comprime a
  • inteligência nem a velhice a extingue.
  • 29. ─ Os homens são sujeitos a doenças?
  • ─ Não estão sujeitos aos vossos males.
  • 30. ─ A vida está dividida entre o sono e a vigília?
  • ─ Entre a ação e o repouso.
  • 31. ─ Poderias dar-nos uma ideia das várias ocupações dos homens?
  • ─ Teria que falar muito. Sua principal ocupação é o encorajamento dos
  • Espíritos que habitam os mundos inferiores, a fim de que perseverem no bom
  • caminho. Não havendo entre eles infortúnios a serem aliviados, vão procurá-los
  • onde esses existem: são os bons Espíritos que vos amparam e vos atraem para o bom
  • caminho.
  • 32. ─ Lá são cultivadas algumas artes?
  • ─ Lá elas são inúteis. As vossas artes são brinquedos que distraem as vossas
  • dores.
  • 33. ─ A densidade específica do corpo humano permite ao homem transportarse
  • de um a outro ponto, sem ficar, como aqui, preso ao solo?
  • ─ Sim.
  • 34. ─ Existem lá o tédio e o desgosto da vida?
  • ─ Não. O desgosto da vida origina-se no desprezo de si mesmo.
  • 35. ─ Sendo o corpo dos habitantes de Júpiter menos denso que os nossos, é
  • formado de matéria compacta e condensada ou vaporosa?
  • ─ Compacta para nós, mas não para vós. Ela é menos condensada.
  • 36. ─ O corpo, considerado como feito de matéria, é impenetrável?
  • ─ Sim.
  • 37. ─ Os habitantes têm, como nós, uma linguagem articulada?
  • ─ Não. Há entre eles a comunicação pelo pensamento.
  • 38. ─ A segunda vista é, como nos informaram, uma faculdade normal e
  • permanece entre vós?
  • ─ Sim. O Espírito não conhece entraves. Nada lhe é oculto.
  • 39. ─ Se nada é oculto ao Espírito, conhece ele o futuro? (Referimo-nos aos
  • Espíritos encarnados em Júpiter).
  • ─ O conhecimento do futuro depende do grau de perfeição do Espírito: isto tem
  • menos inconvenientes para nós do que para vós; é-nos mesmo necessário, até certo
  • ponto, para a realização das missões de que nos incumbem. Mas dizer que
  • conhecemos o futuro sem restrições seria nivelar-nos a Deus.
  • 40. ─ Podeis revelar-nos tudo quanto sabeis sobre o futuro?
  • ─ Não. Esperai até que tenhais merecido sabê-lo.
  • 41. ─ Comunicai-vos mais facilmente que nós com os outros Espíritos?
  • ─ Sim; sempre. Não existe mais a matéria entre eles e nós.
  • 42. ─ A morte inspira o mesmo horror e pavor que entre nós?
  • ─ Por que seria ela apavorante? Entre nós já não existe o mal. Só o mau se
  • apavora ante o seu último instante. Ele teme o seu juiz.
  • 43. ─ Em que se transformam os habitantes de Júpiter depois da morte?
  • ─ Crescem sempre em perfeição, sem passar por mais provas.
  • 44. ─ Não haverá em Júpiter Espíritos que se submetam a provas a fim de
  • cumprir uma missão?
  • ─ Sim, mas não é uma prova. Só o amor do bem os leva ao sofrimento.
  • 45. ─ Podem eles falhar em sua missão?
  • ─ Não, porque são bons. Só existe fraqueza onde há defeitos.
  • 46. ─ Poderias nomear alguns dos Espíritos habitantes de Júpiter que tenham
  • desempenhado uma grande missão na Terra?
  • ─ São Luís.
  • 47. ─ Não poderias nomear outros?
  • ─ Que vos importa? Há missões desconhecidas, cujo objetivo é a felicidade de
  • um só. Por vezes são as maiores e as mais dolorosas.

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